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Reabertura dos cinemas. Um limbo entre a esperança e o irrealismo

Reabertura dos cinemas. Um limbo entre a esperança e o irrealismo

Hugo Geada 28/05/2020 21:55

O Governo anunciou a reabertura dos cinemas no próximo dia 1 de junho e as medidas que devem ser tomadas nestes espaços, o que gerou reações mistas no setor.

Muitos são os que desejam o regresso à normalidade o mais depressa possível e poucas coisas transmitem mais normalidade do que uma boa ida ao cinema. 

Este desejo poderá concretizar-se mais cedo do que pensávamos, com a reabertura das salas de cinema agendada para dia 1 de junho. 

Esta medida faz parte da terceira fase do plano de desconfinamento do Governo e foi anunciada pela ministra da Cultura, Graça Fonseca, esta terça-feira, que revelou que também teatros, salas de espetáculos e recintos ao ar livre voltarão a funcionar.

Contudo, esta reabertura irá trazer novidades, com regras para garantir a segurança de todos os envolvidos. De forma a garantir as distâncias de segurança, todos os eventos, mesmo os gratuitos, vão passar a exigir bilhetes vendidos, de preferência, na véspera ou por via eletrónica. 

As salas passarão a funcionar com “lugares marcados, todas as filas ocupadas” e “um lugar de intervalo entre os espetadores, exceto se forem coabitantes”, disse Graça Fonseca, em declarações à agência Lusa.

O uso de máscara “será obrigatório” para o público e terá de haver “higienização dos espaços entre espetáculos ou sessões”.

Em relação às entradas e saídas de público, estas “devem ter circuitos próprios e separados” e, “sempre que possível”, as portas de acesso aos espaços devem permanecer abertas, “evitando o seu manuseamento”, e as entradas passarão a ser controladas por um técnico.

Nas zonas de espera e de atendimento, os espetadores devem procurar evitar “a formação de filas, garantindo o distanciamento de dois metros entre pessoas” através da sinalização de circuitos e marcações físicas de distanciamento.

Durante a exibição de filmes “não devem existir intervalos durante as sessões” e, no caso de tal não ser possível, “a duração do intervalo deve ser reduzida ao mínimo indispensável, recomendando-se aos espetadores que permaneçam sentados até ao reinício da sessão”.

Para além das regras para as pessoas que visitam estes espaços, também existe um conjunto de normas que os profissionais devem respeitar, nomeadamente “medir a temperatura à chegada ao edifício, sem registo dos resultados”, proceder à “desinfeção de equipamentos técnicos” e, “sempre que possível”, deve ser feito “o arejamento natural das salas e camarins, quando aplicável”.

O tão aguardado regresso Algumas salas já anunciaram a sua reabertura, por exemplo, o Espaço Nimas, que revelou no Facebook que irá reabrir portas no dia 10 de junho e que no dia 1 de junho irá anunciar a programação completa de 10 de junho a 8 de julho. “Lembramos que o Nimas seguirá os procedimentos de máxima segurança recomendados, nomeadamente a redução da lotação da sala, lugares marcados de modo a manter-se a distância física de segurança, desinfeção regular, reforço da limpeza nas áreas de contacto manual e disponibilização de gel desinfetante para as mãos para utilização dos espetadores e equipa”, pode ler-se no post.

O Cinema Ideal também irá reabrir e sem tempo a perder, com a reabertura das portas a acontecer no dia 1 de junho. “O Ideal reabrirá assegurando todas as condições de segurança e saúde (e cumprindo as diretrizes oficiais e todos os procedimentos obrigatórios) com desinfeção e limpeza permanentes, e com a lotação da sala limitada a uma em cada duas filas e dois lugares de intervalo entre espetadores”, pode ler-se no Facebook do cinema.

Os filmes que irão assinalar o regresso à ação deste espaço serão Retrato da Rapariga em Chamas, de Céline Sciamma, e a estreia de dois documentários que deveriam, neste mês de maio, ter assinalado os 75 anos do fim da ii Guerra Mundial: Quem Escreverá a Nossa História e Uma Vida Alemã. Nas semanas que se seguem estrear-se-ão filmes como Matthias & Maxime, de Xavier Dolan, no dia 18 Junho; o filme brasileiro Benzinho, de Gustavo Pizzi, a 25 de junho; It Must Be Heaven, de Elia Suleiman, a 2 de julho; O Que Arde, de Olivier Laxe, a 16 de julho; e ainda as curtas de jovens realizadoras portuguesas Cães Que Ladram aos Pássaros, de Leonor Teles, Ruby, de Mariana Gaivão, e Dia de Festa, de Sofia Bost.

Contudo, nem todos os espaços e profissionais do setor se mostram tão entusiasmados com esta reabertura. 

Uma surpresa inesperada e irrealista Numa carta assinada pelo diretor-geral da Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais (Fevip), António Paulo Santos, e endereçada ao primeiro-ministro, ao ministro da Economia, à ministra da Cultura e ao Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), é proposta a reabertura dos cinemas comerciais no dia 2 de julho, justificando que atualmente não existem estreias que captem a atenção do público. “Reabrir as salas sem novos filmes equivale a ter um supermercado com as prateleiras vazias ou cheias de produtos cujo prazo de validade já passou”, compara a associação.

“Não há neste momento, nem se prevê que venha a haver, qualquer estreia de filmes nas primeiras três semanas de junho e os filmes da quarta semana não estão confirmados”, pode ler-se, afirmando ainda a missiva que a proposta de abertura das salas de cinema no próximo dia 1 é uma surpresa “absolutamente despropositada e irrealista”. E o documento acrescenta que a Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas (APEC) não foi consultada sobre a data de reabertura.

Desta forma, a Fevip argumenta que a data de reabertura “para os cinemas que façam uma exploração predominantemente comercial ou se localizem em centros comerciais deverá ser a data de 2 de julho, dando mais 30 dias ao setor para se reaprovisionar de conteúdos”. A associação dá o exemplo de Tenet, de Christopher Nolan, que tem estreia em Portugal marcada para 16 de julho.

No entanto, a associação ressalva que a proposta avançada “não invalida que os cinemas que não estão nas condições acima referidas, se assim o pretenderem, possam abrir a 1 de junho”.

A Lusa contactou algumas das maiores cadeias de cinema portuguesas, nomeadamente a NOS Cinemas, líder do circuito da exibição comercial, que disse não ter qualquer informação oficial sobre a reabertura das 219 salas que detém porque também quer saber oficialmente o que decide o Governo sobre lotação exigida e conduta dentro das salas de cinema. A NLC/Cinema City, terceira maior exibidora em Portugal, com 46 salas de cinema, revelou que está a preparar a reabertura, “mas nunca para dia 1”, porque “como todo o mercado de cinema, a nível nacional e internacional, não reúne as condições necessárias para a abertura no início de junho”.

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