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Casamentos. Número de uniões pelo civil com grande quebra em abril

Casamentos. Número de uniões pelo civil com grande quebra em abril

Patrícia de Melo Moreira/AFP Daniela Soares Ferreira 26/05/2020 21:39

A pandemia veio colocar em standby o sonho do casamento para muitos e os números falam por si. Setor alerta para grandes perdas e pede apoios.

A pandemia de covid-19 veio adiar o sonho de milhares de casais que contavam viver este ano o melhor dia das suas vidas. Dizer o sim pela Igreja tornou-se uma impossibilidade e o mesmo aconteceu nos casamentos pela conservatória – que antecedem o casamento religioso. O Registo Civil até esteve aberto durante o estado de emergência, mas apenas para casos urgentes, e os números falam por si. Dados do Ministério da Justiça enviados ao i revelam que em abril deste ano foram realizados apenas 102 casamentos pelo Registo Civil, um número muito inferior ao do ano passado, em que foram celebrados 1423 casamentos. A diminuição de uniões matrimoniais começou a notar-se já em março: este ano foram realizados 965 casamentos pelo civil no terceiro mês do ano, um número inferior ao mês homólogo: 1258. Agora, garante o Ministério da Justiça, o Registo Civil já está a funcionar por marcação.

Falta agora saber os dados relativos ao mês de maio que, por norma, é um mês com uma grande movimentação neste setor.

A verdade é que a pandemia veio afetar todos os setores e o dos casamentos não é exceção. Os dados mais recentes de um estudo da Exponoivos revelam que 86% das empresas reduziram a sua faturação, 65% entraram em layoff e 35% procederam a uma redução salarial. Este é um setor que, segundo o mesmo documento, contribui com 0,5% para o PIB [produto interno bruto] nacional e emprega milhares de pessoas. O volume de negócios do casamento em Portugal é superior a 900 milhões de euros.

Os dados atuais não são animadores e o desconfinamento pode trazer melhores dias, mas a incerteza do futuro quanto à pandemia é também uma incerteza quanto aos casamentos.

Para tentarem reduzir um pouco os impactos provocados pela crise da covid-19, os profissionais desta indústria propuseram um conjunto de medidas ao Governo. 

Em comunicado, o grupo afirma que “o Governo reconheceu a elevada importância da indústria do ponto de vista social e económico e demonstrou boa recetividade para encontrar soluções em breve”. “O setor aguarda, assim, uma mensagem política que enumere o conjunto de procedimentos que precisam de adotar de forma a celebrar casamentos, bodas e batizados em segurança, para que as pessoas se sintam seguras e para que se consiga suprimir os casos de contaminação por covid-19”.

Também um estudo da BestEvents e da revista I Love Brides, realizado este mês, revela os números drásticos para este setor. O estudo, que se baseou num universo de 257 empresas dos diversos setores que atuam neste mercado, entre 30 de abril e 6 de maio, aponta para um número médio de 147 convidados por casamento, cujo valor médio do banquete é de 96 euros por pessoa. Juntando todos os serviços contratados pela maioria dos noivos, incluindo custos associados, o valor médio por casamento supera os 35 mil euros. Mas os responsáveis pelo estudo fizeram as contas e há mais gastos associados, o que eleva o valor final: “Juntando o número médio de convidados (147) e os valores médios gastos em todos os serviços contratados, atinge-se facilmente o valor de 91 113 euros por boda – ou seja, um só casamento chega a movimentar 126 504 euros”.

Dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam que, só em 2019, realizaram-se 32 595 casamentos em Portugal. Deste valor, mais de 10 mil correspondem a casamentos religiosos; os restantes, a uniões com cerimónia civil ou outro tipo. 

“Estes dados mostram que a indústria wedding movimenta mais de 4 mil milhões de euros por ano – quase 2% do PIB”, defende Sura Mota, diretora da I Love Brides.

Face a estas contas, os autores do estudo não têm dúvidas: “Estes dados levam-nos a concluir que não podemos olhar para os casamentos como o parente pobre do setor dos eventos. Muito pelo contrário. É uma área onde operam mais de 7 mil empresas em Portugal. Geram muito emprego e têm um grande impacto na economia portuguesa. A título comparativo, os festivais de música, em 2017, tiveram um impacto na economia de 100 milhões de euros, segundo uma informação divulgada pelo Ministério do Ambiente”.

Uma pequena pesquisa pelos grupos ou sites de casamentos permite-nos perceber o seguinte: a maioria dos casais preferiram adiar a festa por um ano, mas há também um grande número de casamentos a serem adiados apenas por uns meses. As opções deixam os casais com algumas incertezas porque não é sabido o futuro quanto à pandemia e se haverá um novo surto ou não. 

A verdade é que as medidas de confinamento já permitem juntar algumas pessoas, mas não o número habitual para casamentos e, por isso, a opção é adiar.

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