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Deixem os Discos Girar #10. Seis / VI dos Papaya

Deixem os Discos Girar #10. Seis / VI dos Papaya

Hugo Geada 26/05/2020 19:35

Com um som cada vez mais próprio, no mais recente lançamento dos Papaya podemos ouvir um fresco e explosivo delírio que tanto deve à música psicadélica como ao noise punk.

Sem papas na língua e com o regulador de volume desregulado, os Papaya, trio constituído por Bráulio Amado, Óscar Silva (também conhecido pelo seu nome artístico Jibóia) e o baterista Ricardo Martins, lançaram, através da Revolve, Seis / VI, um dos discos mais rijos do ano.

Apesar de se esticar por apenas, aproximadamente, 18 minutos, as suas faixas repletas de feedback e distorção são de deixar os pelos no pescoço levantados e os ouvidos a zumbir durante horas.

Uma pena que estas faixas, claramente construídas para serem tocadas muito alto em concertos ao vivo em frente a corpos suados, estejam impossibilitadas de serem mostradas ao vivo. Enquanto esperamos pela vacina, podemos ouvir Seis / VI em casa e ler, na voz dos próprios, um pouco mais sobre esta viagem sónica. 

O contexto:

É tudo parte de uma viagem sónica desgraçada, e foi à desgarrada que gravámos todos os números até aqui. O destino é só um: em frente. Seja lá o que isso for. Mais disto ou menos daquilo são sempre medidas que acabam destroçadas num disco de Papaya. Acaba sempre por aparecer outra pedra no caminho. Desta vez foi um tijolo.

Nave Especial

É o início de uma viagem daqui para fora. Uma viagem especial não pode ser feita a andar nem a marchar. Uma nave não é um avião nem um barco. É uma cabeça que pesa nas costas e não nos deixa andar.

Tu

É um grito em uníssono. Três impostores numa tensão em crescendo que acaba por entrar num mantra rítmico acelerado. Repetem para entranhar o fado do qual não têm escapatória. Dá vontade de partir e continuar a gritar.

Os Ladrões

Roubaram vozes a desconhecidos. Roubaram beats a bem conhecidos. Roubaram solos a outras paragens. Continuaram a sua viagem pela noite, seguindo sempre em frente. Foram roubados pelos próprios corpos. Os ladrões.

Fumo de Escape

 vontade de entrar pela Alemanha adentro sem parar no controlo fronteiriço, abraçar amigos nervosos, montar colunas e tambores, jorrar alto tudo o que trouxeram do outro lado, de todos os lados. Partir tripés, cantar em coro, abanar o corpo até não poder mais e depois acordar com o melhor pequeno almoço desta vida.

Tijolos

É uma música sobre a especulação imobiliária e a sua bolha cheia de gases pérfidos.

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