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26 de maio de 1959. O sr. dr. juiz não sabe distinguir um burro de um cavalo!

26 de maio de 1959. O sr. dr. juiz não sabe distinguir um burro de um cavalo!

Afonso de Melo 26/05/2020 09:33

Uma multidão juntou-se, ao pino do calor, na Rua das Taipas. O julgamento prometia confusão. Havia gente a vender carne de burros doentes como se fosse carne de cavalos saudáveis. O juiz suava em bica e estava metido numa grandessíssima estucha.

“Sua excelência o senhor doutor juiz vai desculpar-me, mas preciso de lhe dizer que não percebe nada de burros, salvo seja. É de bradar aos céus dizer que a carne de burro não serve para consumo público!”

A tarde estava quente, a ventoinha da sala de audiências funcionava aos solavancos, o magistrado, na solenidade da sua beca, parecia suar em bica. Na_Rua das Taipas, em Lisboa, o Tribunal dos Géneros Alimentícios estava em ebulição desde as dez horas da manhã. Álvaro Ferreira Amaral era um moço novo, de pelo na venta. Acusado de, juntamente com Armando Fernando da Silva, César Mendes da Silva e Joaquim de Jesus Cardoso, terem abatido, no casebre do Casal do Moinho, um local por eles arrendado, uma série de burros sãos como peros à mistura de outros carregados de maleitas e de terem vendido a carne carimbada como se fosse carne de cavalo.

O juiz tinha um ar bondoso, mas cansado. Verdadeiramente, tinha-lhe calhado em mãos uma grandessíssima estucha, como diria o Alencar, do divino Eça. Ainda fez um esforço para chegar à razão do problema: “Mas, oiça lá, a carne de burro e a carne de cavalo são inconfundíveis. Tanto no seu aspeto anatómico, quer na cor, quer na organização dos órgãos. Aquilo que lhe pergunto era se a carne de burro que pôs à venda era saudável. E se era ou não possível destrinçá-la da carne de cavalo?”

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