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Mais de 1.500 camas dos hospitais públicos ocupadas por quem já teve alta

Mais de 1.500 camas dos hospitais públicos ocupadas por quem já teve alta

João Porfírio Jornal i 25/05/2020 10:23

Lisboa e Vale do Tejo e Norte são as regiões com uma maior relevância na distribuição dos casos sociais, sendo responsáveis por 81% do total dos casos a nível nacional.

São mais de 1.500 as camas dos hospitais públicos ocupadas por pessoas que já tiveram alta, revela a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH).

Os dados, que fazem parte do Barómetro de Internamentos Sociais da APAH, revelam que a 18 de fevereiro de 2020 - data referente à recolha dos dados - foram reportados 1.551 “internamentos inapropriados”, num total de 17.826 internamentos registados. Este número representa mais 8,7% face à edição anterior do barómetro. A APAH destaca que um dos motivos que contribuiu para este aumento foi a subida da cobertura da amostra do estudo - que passou de 79% das camas na terceira edição do barómetro para 90% na edição atual.

“A 4.ª edição do BARÓMETRO DE INTERNAMENTOS SOCIAIS [BIS], iniciativa da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares [APAH], com o suporte da EY e apoio institucional da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna [SPMI], contou com a participação de 40 estabelecimentos hospitalares [+7 que na 3ª edição] do Serviço Nacional de Saúde [SNS] e do Serviço Regional de Saúde [SRS] dos Açores, representando cerca de 90% do número de camas das regiões participantes”, explica a associação.

O número total de dias de internamentos sociais foi de 119.971. Os 1.551 doentes internados inapropriadamente apresentam uma demora média de internamento de 77,4 dias, o que significa uma redução de 21% face à edição de 2019 do barómetro.

52% dos internamentos inapropriados são de utentes do género feminino e 80% acima dos 65 anos. Lisboa e Vale do Tejo e Norte são as regiões com uma maior relevância na distribuição dos casos sociais, sendo responsáveis por 81% do total dos casos a nível nacional.

Segundo a APAH, “os dois principais motivos de internamentos sociais estão, à semelhança das edições anteriores, associados à falta de resposta da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados [RNCCI], bem como a incapacidade de resposta do familiar ou cuidador. Todavia, a falta de capacidade da Estrutura Residencial Para Idosos [ERPI] é o terceiro motivo dos internamentos sociais”.

Estes internamentos sociais “representam uma despesa estimada à data de 18 de fevereiro de 2020 de 38,5M€”.

Já as unidades psiquiátricas reportaram 155 casos sociais, que têm um impacto financeiro de 8,1M€, segundo a APAH. “Fazendo uma extrapolação do valor total para um ano dos internamentos inapropriados, é estimado um impacto de cerca de 184M€ para o Estado”, remata a associação.

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