27/9/20
 
 
Afonso de Melo 22/05/2020
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

Não me tratavas por tu

Já sabemos onde estamos, realmente? Gosto desta estrada rodeada de pinheiros mansos que me leva de Alcácer à Comporta. Gosto do ruído do motor antigo do Anglia, imitação da rotação da Terra em redor de si própria. 

Que fazemos com estes dias que passam? Somamo-los ou subtraímo-los da nossa vida normal? Havia uma velha música dos Alan Parsons que dizia: “Days are numbers/Watch the stars/We can only see so far/Someday, you’ll know where you are”. Já sabemos onde estamos, realmente? Gosto desta estrada rodeada de pinheiros mansos que me leva de Alcácer à Comporta. Gosto do ruído do motor antigo do Anglia, imitação da rotação da Terra em redor de si própria. Gostava daquele teu jeito de nunca me tratares por tu, que diacho de ideia, mas sabia desde logo quem estava do outro lado da conversa, alguém que queria escutar o que eu dizia e eu acho que não dizia nada que valesse verdadeiramente a pena da tua atenção. É bom ver os corvos voarem de árvore em árvore. É bom saber que a cada quilómetro percorrido a praia se aproxima e eu lembro-me de ti e de mim na praia, à noite, à procura de algo que não soubéssemos um do outro, boca e dedos, e um luar lá no alto a fazer horizontes sobre o mar. 

Leia o artigo completo na edição impressa do jornal i. Agora também pode receber o jornal em casa ou subscrever a nossa assinatura digital.

Iniciar Sessão
Esqueceu-se da sua password?

×
×

Subscreva a Newsletter do i

×

Pesquise no i

×