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Afonso de Melo 21/05/2020
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

Ai se Lisboa soubesse...

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Fui e voltei. Por dois dias troquei o Sado pelo Tejo. Que é mais azul e mais largo, mas não tem andorinhas pelas manhãs e patos-bravos voando no céu durante a noite. Não daquele azul límpido dos olhos da Julie Christie em Doutor Jivago que, por si só, enchia a sala do Cinema Paris.

Um azul sério, de estuário de capital. Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar a superfície da Lua, olhou para a Terra perdida no espaço e inventou uma palavra: azulidão. Era da azulidão que tinha saudades depois de tantos e tantos dias cinzentos. Esperava pelo sol com a ânsia com que Cary Grant esperava no alto do Empire State Building pelo amor da sua vida.

Não, não posso viver sem o sol, sem o calor bruto das tardes de verão quando mergulhávamos no rio Águeda da nossa infância, essa terra do nunca mais.

Subi o Chiado devagar, à procura daquela rotina chiadesca de que falava Pinheiro Torres, e não havia gente, apenas o silêncio quebradiço de um ou outro que passava. Guimarães Rosa talvez tivesse razão. “O mundo é mágico; as pessoas, não”. 

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