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Inglaterra. Premier League começa a descongelar: treinos de volta

Inglaterra. Premier League começa a descongelar: treinos de volta

Laura Ramires 19/05/2020 19:02

Clubes podem regressar aos treinos a partir da tarde desta terça-feira. Trata-se do primeiro passo para o retomar da temporada, previsto para meados de junho.

A Bundesliga já regressou e, além de ter saciado milhões de pessoas pelo mundo fora (só na Alemanha, os jogos atingiram uma audiência recorde de mais de seis milhões de telespetadores), o som do apito inicial trouxe sobretudo alento e a certeza de que é possível que os restantes campeonatos da Europa possam também eles (re)iniciar as respetivas provas, ainda que este novo pontapé de saída seja naturalmente feito em moldes diferentes do que o habitual. Dois dias depois de a bola ter voltado a rolar em solo alemão, é de Inglaterra que chega o primeiro sinal positivo quanto a um eventual retorno da Premier League. Ontem, os acionistas do principal escalão do futebol inglês votaram por unanimidade que os clubes podem regressar aos treinos a partir da tarde desta terça-feira. Ao contrário das restantes principais Ligas – com excepção, claro, para a francesa, que deu a época por terminada –, o campeonato inglês permanecia ainda uma incógnita em todos os aspetos. Os treinos individuais ou em pequenos grupos de jogadores tornaram-se processo comum nos vários clubes europeus – e a partir de hoje passam também a ser uma realidade na prova que caminha a passos largos para coroar o Liverpool como o novo campeão de Inglaterra.

A Premier League lembrou, contudo, que o protocolo aprovado não permite, ainda, a existência de contacto nos treinos, e que todos os jogadores e treinadores têm de respeitar o distanciamento social. “O protocolo teve a aprovação dos jogadores, treinadores, médicos e do governo. A prioridade é a saúde e o bem-estar de todos os participantes. Por isso, um regresso seguro dos treinos terá de ser feito passo a passo. Este é o primeiro passo”, avançou o organismo.

A decisão foi anunciada, de resto, quatro dias depois de o governo britânico ter admitido o regresso da I Liga do país no próximo mês. Já esta segunda-feira, o secretário de Estado da Cultura e do Desporto, Oliver Dowden, voltou a reforçar a abertura do governo para um retorno da prova em “meados de junho”, lembrando sempre que o “critério número um” continua a ser a “segurança pública”. Entretanto, a imprensa inglesa já avançou com a data pensada para a realização da 30.ª jornada: dia 12 de junho.

Tal como os restantes campeonatos, a Liga inglesa foi congelada em março devido à pandemia de covid-19, numa altura em que os reds de Jurgen Klopp já tinham as faixas de campeão na gaveta, uma vez que lideram a prova com mais 25 pontos do que o Manchester City (menos um jogo), de Bernardo Silva e João Cancelo.

“Que Deus perdoe se algo fatal acontecer” O Projeto Reiniciar da Premier League assenta em várias medidas de segurança anti-covid-19, entre as quais se destacam os testes sistemáticos aos jogadores. A possibilidade de a prova ser retomada com jogos em campos neutros aparentemente já caiu por terra depois da insatisfação imediata demonstrada por alguns dos principais clubes da Liga, nomeadamente Arsenal, Chelsea e Tottenham.

Ainda assim, e apesar de alguma discórdia que possa surgir em determinados pontos deste novo modelo para o futebol inglês, cuja proposta final deverá ser apresentada nos próximos dias, há quem se mostre receoso com o reinício da temporada. Na reunião da Associação de Treinadores, Nigel Pearson, treinador do Watford, foi uma das figuras a mostrar-se relutante: “Que Deus perdoe se algo fatal acontecer. As pessoas estão a fechar os olhos aos riscos que todos irão ter. Devíamos ser mais cautelosos. O número de mortes na Inglaterra é impressionante e devíamos garantir a saúde das pessoas”. Pep Guardiola (Man. City) e Frank Lampard (Chelsea) também se mostraram apreensivos quanto à retoma da competição. Do lado contrário, podem ser encontrados Klopp, José Mourinho (Tottenham) ou Carlo Ancelotti (Everton). O treinador alemão já disse estar “pronto para que o futebol regresse”; o português deixou mesmo um conselho para quem está contra a retoma da Liga: “se não quiserem jogar, fiquem em casa a ver a Bundesliga”.

Desavenças à parte, são cada vez mais visíveis os passos que vão sendo dados no sentido de retomar e concluir os títulos nacionais. Depois da liga alemã não ter defraudado as expectativas, o programa das festas promete alargar no mês de junho.

Junho gordo O próximo mês promete muitas emoções no futebol europeu. Por cá, como se sabe, a 25.ª jornada está prevista para o dia 4 de junho. Pouco depois, os holofotes viram-se então para Espanha e Inglaterra. O presidente da La Liga, Javier Tebas, disse esperar que o futebol espanhol regresse no próximo dia 12, com um dérbi no Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán, entre o Bétis e o Sevilha. Já durante o dia de ontem, o futebol no país vizinho deu luz verde para que as equipas voltassem a treinar em grupo pela primeira vez, naquele que se trata de mais um sinal importante tendo em vista o reinício da temporada. “Estamos ansiosos para regressar. Por nós, voltávamos já este fim de semana, mas vamos esperar e trabalhar para começar bem. Já vimos alguns jogos e em breve seremos nós”, disse ontem João Félix ao site do Atlético Madrid.

Também por Itália ficou prometido o regresso do futebol em junho, depois de a Serie A ter recebido luz verde a partir de dia 13. Porém, ontem, a Federação italiana anunciou que a suspensão vai prolongar-se, afinal, até pelo menos ao próximo dia 14, depois de o governo ter alargado a proibição da realização de eventos desportivos no país até essa data.

Em Espanha, e após 27 jornadas, o Barcelona ocupa o topo da classificação; enquanto por Itália é a Juventus quem vai na frente (26 rondas decorridas), com mais um ponto que a Lazio.

Recorde-se que a propagação global do novo coronavírus afetou fortemente o universo desportivo, obrigando ao adiamento dos Jogos Olímpicos Tóquio2020, Campeonato da Europa2020 e Copa América. Em muitos outros casos as provas foram mesmo canceladas, com destaque para os campeonatos de futebol de França, Países Baixos, Bélgica e Escócia.

No final deste mês esperam-se ainda decisões sobre as provas sob alçada da UEFA. Ao longo dos últimos mais de dois meses, o organismo que rege o futebol europeu sempre decidiu de modo a dar prioridade à conclusão dos títulos nacionais. Agora, com a meta primordial a tornar-se cada vez mais real, o organismo presidido por Aleksander Ceferin acredita que os campeões de cada país possam ser conhecidos até final de julho – deixando assim o mês de agosto reservado para as decisões da Liga Europa e Liga dos Campeões.

 

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