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Nene. Luzes que se cruzam e a morte à espera numa curva da Estrada

Nene. Luzes que se cruzam e a morte à espera numa curva da Estrada

Afonso de Melo 18/05/2020 09:59

Dez dias antes de completar 21 anos, a grande esperança da Académica morreu num acidente de automóvel entre Coimbra e a Figueira da Foz.

O luto envolveu a Academia fará no próximo dia 15 de agosto 50 anos. Era sábado. Numa viagem noturna, entre Coimbra e a Figueira da Foz, no lugar de Santa Eulália, não longe de Montemor-o-Velho, o Morris Mini de Nene enfaixou-se frontalmente contra uma camioneta de entrega de peixe que vinha em sentido contrário. O jovem jogador da Académica, nascido em Madrid no dia 25 de agosto de 1949, falhou o seu vigésimo primeiro aniversário por dez dias. Estava de licença: cumpria o curso de sargentos milicianos nas Caldas da Rainha. Viera divertir-se no fim de semana. Encontrou-se apenas com a tristeza.

Modesto Luís Ortiz de Sousa Neves, de nome completo, Nene de diminutivo, tinha tudo para ser um jogador maiúsculo. Transportado de urgência para o Hospital da Universidade, ainda no largo D. Dinis, foi levado pela Senhora da Gadanha antes da meia-noite: uma fratura na base do crânio, fígado e baço rasgados pela violência do embate. Daniel Ferreira Matias, residente em Condeixa, também internado, ficou sem palavras. Não sabia explicar o acidente, ele que estivera envolvido. Só dois homens sabiam a verdade dos factos, e um morrera às mãos de cirurgiões experimentados. Luzes que se cruzaram na noite escura.

“Com a sua desaparição, o futebol português perde um elemento que vinha a cotar-se como de excecional craveira, sendo considerado como um avançado de invulgares recursos”, sublinhava a bisonha notícia de jornal. “Nene foi pretendido por muitos clubes, entre os quais Benfica e Sporting, tendo-se falado do Real Madrid. Embora corressem rumores que as negociações com o clube de Alvalade ainda não estavam encerradas, parece que Nene decidira ficar mais um ano na Académica”. Aqui levantava-se a polémica. Que não tardou a rebentar. Na alma dos adeptos, volitava o fantasma de Pepe, o Cometa Azul de Belém...

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