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Luís Newton 13/05/2020
Luís Newton

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Por favor use máscara… sempre!

Assim começou o País nos primeiros momentos: as pessoas não queriam enfrentar que a doença poderia estar à porta, refugiando-se nos “sábios” que nos diziam que nada iria acontecer, que se acontecesse estaríamos prontos e que, no limite, se problemas tivéssemos, “que fossemos à horta do vizinho”…

E naquela noite da decisão dos “sábios”, quando o Conselho Nacional de Saúde Pública (CNSP) esteve reunido seis horas para “convencer” dois dos seus conselheiros de que deveriam unanimemente votar para as escolas não fecharem, os portugueses mostraram-lhes o cartão vermelho e o País mergulhou em 48 horas sem rei nem roque.

Cheguei a participar num debate de autarcas onde alguém dizia que não podíamos apoiar um confinamento social, porque os idosos poderiam morrer isolados sem o nosso apoio, quando afinal os idosos têm estado a morrer exatamente nos sítios onde deveriam estar mais apoiados: nos lares.

Um misto de ignorância e medo parecia dominar alguns decisores políticos.

Na manhã seguinte as escolas estavam praticamente vazias. Foram os portugueses os primeiros a perceber que os “sábios” sabiam pouco. O Primeiro Ministro, que ainda na véspera afirmara que seguiria escrupulosamente as deliberações do CNSP, compreendeu o momento e percebeu que a oposição exigia o fecho das escolas, tomando a decisão de ignorar olimpicamente o CNSP e preparar o terreno para o que se veio a tornar o mais longo período de Estado de Emergência.

A verdade é que uma pandemia que parecia matar a cada esquina o mais incauto, sem olhar a estratos sócio económicos, porém muito dirigida aos nossos avós, gerou receio em todos, sem exceção.

De facto, não estávamos preparados. Desde logo nas inúmeras contradições, gaffes, decisões erráticas por parte da DGS. Se estivéssemos preparados não tinha acontecido Felgueiras, não tinha acontecido Ovar.

Vimos um Governo que procurou acertar o passo, quando mais parecia que tinha estado a “rezar” para que isto nos passasse ao lado: não tinha comprado as máscaras quando foi alertado, não tinha testes, não tinha ventiladores, não tinha hospitais preparados e nem tinha preparado adequadamente os médicos e enfermeiros, que se viram deixados à sua sorte, mas que não deixaram à sorte as vidas que têm procurado salvar.

Depois vimos as autarquias a liderar o apoio e resposta, longe dos eventos mediáticos (com exceção de uma ou outra entrega de bilha de gás e uma ou outra espera no aeroporto por ventiladores oferecidos), e focados em estruturar uma resposta adequada à urgência de pessoas e empresas.

Isto tudo porque o que alguns não perceberam (e outros demoraram a perceber) é que não era só uma pandemia de vírus que se tinha de tratar, mas também uma pandemia de ansiedade que se tinha de gerir. E esta última, não tenhamos dúvidas, criada pela total ausência de resposta que o comum dos cidadãos viu dos principais governantes do País.

Dir-se-á que este desejo em centralizar por parte de uns, e o desejo em quererem ser centralizados, por parte de outros, é um sinal de quem não compreendeu a mais relevante característica do período pós-moderno em que vivemos: a descentralização é a mais forte das vantagens competitivas.

E quando entramos para o derradeiro período da luta, temos de compreender não só como a fazemos, mas, essencialmente, como saímos dela para conquistar o futuro.

Desde logo na mudança de hábitos, com o reforço das medidas de defesa da higiene pública, nomeadamente na adoção das máscaras como parte integrante da proteção da nossa saúde.

Importa compreender que toda a economia mundial é uma economia de massas, dos hipermercados aos centros comerciais, dos hospitais aos escritórios de negócios, do metropolitano aos autocarros, dos concertos aos estádios de futebol, da praia ao campo, dos museus às bibliotecas, das escolas aos ATL’s, dos cinemas às farmácias, etc.

Não podemos esperar uma inversão desta realidade de um dia para o outro, e não podemos destruir o mesmíssimo tecido económico de que precisamos para evitar que a miséria clame mais estragos que o vírus.

E também é incomportável continuarmos a viver em filas intermináveis sempre que necessitamos de comida ou de remédios, que nos consomem tempo que poderíamos dedicar à família e ao trabalho.

É impraticável exigir às nossas crianças que brinquem respeitando distanciamento social.

Por isso, só temos uma resposta imediata: Máscaras, Máscaras, Máscaras.

Por favor use máscara, sempre que sair de sua casa, use máscara!

Aliás, aqui a vitória não será só contra o CoVid, mas também iremos derrotar as transmissões de gripes e outras doenças do foro respiratório, que ceifam milhares de vidas humanas e retiram milhões de horas de produtividade ao País, custando milhões de euros de baixas à Segurança Social.

Porque a questão não é só erradicar esta doença, temos de começar a preparar a derrota das próximas doenças respiratórias.

Só assim podemos ambicionar recuperar uma nova normalidade.

 


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