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Médicos pedem reforço das equipas de saúde pública

Médicos pedem reforço das equipas de saúde pública

AFP Marta F. Reis 12/05/2020 12:17

Impacto da primeira semana de desconfinamento deverá ser visível nos próximos dias. Associação alerta para a necessidade de reforçar meios para vigiar casos e rastrear contactos.

A Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública defende que é necessário reforçar as unidades de saúde pública na nova fase de resposta à epidemia. Nas últimas semanas, a vigilância de casos suspeitos e de doentes tem sido feita com apoio das equipas de saúde familiar dos centros de saúde, nomeadamente médicos de família. Com a retoma da atividade assistencial também nos centros de saúde, Ricardo Mexia, presidente da ANMSP, alerta que é necessário reforçar as unidades de saúde pública para manter a capacidade de vigilância e rastreio de contactos de novos casos. “Durante o estado de emergência, houve recursos redirecionados para esta atividade, nomeadamente os médicos de família, que deram um contributo extraordinário no rastreio de contactos e vigilância ativa dos casos. Neste momento esses médicos estão a retomar a sua atividade e deixam de estar disponíveis para este trabalho e não vemos as equipas ser reforçadas, antes pelo contrário, estão a entrar numa situação já complicada depois de longas semanas de trabalho ininterrupto”, disse ao i o médico, sublinhando que identificar os casos, colocá-los em isolamento e iniciar inquéritos epidemiológicos para que os contactos possam ficar em quarentena continuará a ser uma “tarefa fundamental” na nova etapa de resposta à covid-19.

Se nos últimos dias era cedo para perceber o impacto da primeira semana de desconfinamento na evolução do número de casos, a expectativa é que nos próximos dias comece a ser perceptível se a reabertura do comércio na semana passada se traduziu num aumento das infeções a um ritmo superior ao até aqui registado. Ricardo Mexia explica que existe em média um desfasamento de oito a dez dias entre a infeção e o diagnóstico, devido ao período de incubação do vírus e manifestação dos sintomas. Depois de na semana passada ter havido um aumento nos casos confirmados diariamente, também ligados a mais rastreios em lares da região de Lisboa e Vale do Tejo, os diagnósticos diminuíram nos últimos dias e este domingo foram diagnosticados 98 novos casos (conhecidos esta segunda-feira uma vez que os boletins reportam às 24 horas anteriores), um dos números mais baixos das últimas semanas. Ricardo Mexia explica no entanto que existe uma cautela na interpretação do abrandamento dos casos nos últimos dias, uma vez que ao longo das últimas semanas têm sido sempre diagnosticados menos casos durante o fim de semana. “Durante os próximos dias existirá uma indicação mais clara”, diz.

“Uma maratona longa” No briefing diário desta segunda-feira, o secretário de Estado da Saúde António Lacerda Sales e a diretora-geral da Saúde Graça Freitas consideraram ser ainda prematuro avaliar o início do desconfinamento na semana passada. Lacerda Sales sublinhou que a resposta à epidemia será uma “maratona longa” e não uma corrida curta, em que poderão surgir obstáculos, reforçando a necessidade de manter os cuidados e a vigilância. “Sentimos que há uma consciência social e uma consciência cívica muito grande. Estamos expectantes que o balanço possa ser positivo se se mantiver a consciência social”, disse Lacerda Sales, assegurando também que existe capacidade no SNS para responder à epidemia no futuro imediato. A ocupação dos cuidados intensivos encontra-se a 53% da capacidade disponível nos hospitais, disse. Este domingo estavam internados em Unidades de Cuidados Intensivos 112 doentes com diagnóstico de covid-19, o número mais baixo desde 28 de março. Lacerda Sales sublinhou também o reforço da capacidade de diagnóstico nas últimas semanas: desde o início da epidemia foram feitos 547 mil testes de diagnóstico e de 1 a 10 de maio foram feitos mais testes do que em todo o mês de março. “Estes indicadores são importantes porque quanto mais testamos mais sabemos sobre a realidade epidemiológica do país”, disse. Os boletins da DGS mostram que nos últimos dias deram entrada mais notificações do que as que são contabilizadas como novos casos confirmados, uma situação que ainda não foi esclarecida. Também ontem apareciam menos 36 casos confirmados na região Centro do que no dia anterior.

Sobre as orientações que estão a ser produzidas pela DGS para a reabertura das creches, a diretora-geral da Saúde adiantou que a preocupação será minimizar o risco. Desdobrar turmas e aumentar a distância na hora das refeições e da sesta serão algumas das medidas no regresso das crianças aos infantários. “Sabemos que na brincadeira não podem deixar de se juntar, mas podem deixar os sapatos à porta. [...] Aquilo que nós adultos podemos fazer não é impedir o mundo dos meninos mas dar ao mundo dos meninos a maior segurança possível e isso está nas mãos dos adultos”, disse Graça Freitas.

Lares retomam visitas

Os lares e unidades de cuidados continuados podem retomar as visitas a partir de 18 de maio. Ao fim de dois meses de visitas suspensas, a DGS publicou ontem as normas para os reencontros entre residentes destas estruturas e familiares e amigos. Deverão acontecer com marcação prévia, num espaço próprio – idealmente no exterior – e com higienização entre visitas. As unidades deverão também manter registos dos visitantes. Pessoas com sintomas de covid-19 ou que tenham estado com doentes nos 14 dias anteriores não devem visitar lares e idosos com sintomas também não poderão receber visitas, lê-se na norma, que estabelece que devem manter-se dois metros de distância entre as pessoas. As visitas não deverão exceder 90 minutos. Nesta primeira fase, diz a DGS, deverá ser um visitante por utente, uma vez por semana. Devem usar máscara e não poderão levar objetos pessoais ou comida.

 

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