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Bruxelas. Economia com recessão de 6,8% e desemprego nos 9,7% em Portugal

Bruxelas. Economia com recessão de 6,8% e desemprego nos 9,7% em Portugal

Sónia Peres Pinto 07/05/2020 08:20

Défice português deverá fixar-se nos 6,5% e a dívida em 131,6% do PIB em 2020. Só no próximo ano, a economia portuguesa deverá recuperar. Mas Mário Centeno lembra que, no conjunto dos dois anos, o desempenho da economia portuguesa será menos negativo do que o da média dos países da área do euro e da União Europeia.

A Comissão Europeia prevê para Portugal uma recessão de 6,8% e uma taxa de desemprego de 9,7%, em 2020, devido ao impacto da pandemia de covid-19. Ainda assim, estas previsões são mais otimistas do que as do Fundo Monetário Internacional (FMI), que previu uma quebra económica de 8% e desemprego de 13,9% este ano. Já em 2021, a Comissão Europeia estima uma recuperação da economia portuguesa de 5,8%, bem como uma diminuição da taxa de desemprego dos 9,7% para os 7,4%.

O ministério de Mário Centeno reagiu e diz que “no conjunto dos dois anos, o desempenho da economia portuguesa será menos negativo do que o da média dos países da área do euro e da União Europeia”, refere em comunicado.

De acordo com as Previsões Económicas da Primavera, a exposição de Portugal ao setor do turismo eleva os riscos, apesar de ser esperada uma recuperação forte da economia portuguesa como um todo em 2021. “As exportações devem decrescer relativamente mais, à luz das receitas consideráveis que Portugal tipicamente ganha através dos turistas estrangeiros (cerca de 8,7% do PIB em 2019), e das medidas de distanciamento social a afetar os serviços na segunda metade de 2020”, diz o documento.

O executivo comunitário diz ainda que tanto as exportações como as importações devem registar quebras de dois dígitos em 2020 (-14,1% e -10,3%, respetivamente), recuperando no ano seguinte (13,2% e 10,3%, respetivamente).

O setor do turismo deverá afetar também os níveis de desemprego, apesar de “provavelmente muitos dos despedimentos serem temporários”, revela a Comissão. “A esperada lenta recuperação do turismo e de serviços relacionados terá provavelmente um impacto negativo na procura de emprego durante um período longo”, assinala o executivo liderado por Ursula von der Leyen, que prevê ainda que os salários “sejam afetados pelo número reduzido de horas de trabalho” durante 2020, afetando a produtividade.

É também esperado por Bruxelas que a procura doméstica “contraia substancialmente em 2020”, com o consumo privado a decrescer “a um ritmo ligeiramente mais baixo do que o PIB [-5,8%]”, devido ao impacto das medidas governamentais nas famílias. E garante que, “o investimento em equipamentos deve ser o mais atingido devido à incerteza e às disrupções nas cadeias de oferta mundiais. Ao mesmo tempo, o investimento em construção deve ser mais resiliente, beneficiando do ciclo e da nova flexibilidade introduzida nos fundos da União Europeia”.

Já a balança comercial portuguesa, em termos nominais, “deve beneficiar da descida dos preços do petróleo, mantendo a conta corrente geral com um défice relativamente pequeno”, que Bruxelas prevê que seja de 0,6% em 2020 e 0,2% em 2021.

Quanto à inflação, deve permanecer baixa, devido à “contribuição negativa dos preços da energia” que deve ser “ainda mais pronunciada” em 2020 do que em 2019 (em que a inflação foi de 0,3%).

“Ao mesmo tempo, as medidas de contenção do Governo e os limites subsequentes para a oferta de capacidade de trabalho e produção pode gerar pressões inflacionárias em certos bens, como comida e produtos de saúde”, adverte a Comissão.

Ainda assim, “as pressões negativas devem prevalecer, e a inflação deve ser ligeiramente negativa em 2020 [-0,2%]”, recuperando em 2021 para 1,2%.

Apesar das más notícias, o ministério de Mário Centeno diz que “o Governo reafirma como prioridades conter a pandemia com o reforço dos meios necessários para que Portugal possa debelar a crise sanitária, bem como criar todos os instrumentos para assegurar os rendimentos das famílias, o funcionamento das cadeias de abastecimento de bens e serviços fundamentais e o arranque da atividade económica com a confiança de todos os portugueses. A interrupção abrupta da atividade económica em março e em abril deverá ser revertida a partir do início do mês de maio, suportada numa recuperação do mercado interno e na retoma do investimento”.

Défice agrava A Comissão Europeia também previu que o défice das contas públicas em Portugal atinja os 6,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, com a dívida pública a atingir os 131,6% do PIB. Mais uma vez, estas previsões são mais otimistas do que as do FMI que previu que o défice das contas públicas portuguesas atingisse os 7,1% do PIB, e que a dívida chegasse aos 135% do PIB.

Para o próximo ano, a Comissão Europeia prevê uma diminuição do défice orçamental nacional para os 1,8% do PIB, bem como uma descida da dívida pública para os 124,4% do PIB.

Zona euro não fica alheia Já a economia da zona euro deverá uma contração recorde de 7,7% do PIB, como resultado da pandemia da covid-19, recuperando apenas parcialmente em 2021, com um crescimento de 6,3% e lembra que “apesar da resposta rápida e abrangente, tanto a nível da União Europeia como nacional, a economia europeia vai experimentar uma recessão de proporções históricas este ano”.

Como resultado das medidas orçamentais robustas adotadas pelos Estados-membros para apoiar a economia na atual crise, o executivo comunitário prevê, por outro lado, que o défice público na zona euro aumente de 0,6% do PIB em 2019 para 8,5% em 2020 (recuando para 3,5% em 2021), e que a dívida pública cresça dos 86% verificados em 2019 para 102,7% este ano, antes de abrandar para os 98,8% no próximo.

Para Mário Centeno, enquanto presidente do Eurogrupo considera que as previsões económicas divulgadas pela Comissão Europeia demonstram a “fatura pesada” da emergência sanitária nas contas da zona euro, instando ao investimento como forma de relançar as economias.

“Não podemos evitar o vírus, mas podemos aliviar o seu efeito sobre os cidadãos e as empresas europeias [visto que] a forma como sairmos desta crise faz parte das escolhas que temos de fazer”, refere, acrescentando que “o caminho a seguir” para esta recuperação centra-se num “crescimento sustentável com um plano de relançamento considerável” ao nível da União Europeia, no qual “se reparta os custos da crise ao longo do tempo por todos os Estados-membros”, complementando ainda “os esforços nacionais”.

Em causa está o plano de recuperação, interligado com uma proposta revista do orçamento da União Europeia para 2021-2027, que a Comissão Europeia está a preparar e vai apresentar nas próximas semanas, ainda sem data.

 

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