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Tony Allen. O homem que levou a batida de África ao resto do mundo

Tony Allen. O homem que levou a batida de África ao resto do mundo

Hugo Geada 01/05/2020 00:41

O baterista morreu esta quinta-feira, 30 de abril, a mesma data que assinalava o dia internacional do jazz. Foi um dos principais colaboradores de Fela Kuti e, segundo este, "sem o Tony Allen, nao tinha existido afrobeat". 

Brian Eno descreveu-o como "talvez, o melhor baterista que alguma vez viveu". Segundo o lendário músico Fela Kuti, tantas vezes creditado como o criador do afrobeat, sem ele "o afrobeat nunca tinha existido".

Estamos a falar de Tony Allen, baterista nigeriano, que acompanhou uma grande e eclética variedade de lendas, nomeadamente o supramencionado Fela Kuti na banda Africa '70, Manu Dibango, o produtor de música eletrónica Jeff Mills, Damon Albarn dos Blur, os Air ou Charlotte Gainsbourg, que morreu esta quinta-feira, dia 30 de abril, aos 79 anos de idade, em Paris.

Considerado um dos bateristas mais influentes de África e do mundo, a sua morte foi anunciada nas redes sociais por Sandra Iszadore, música e ativista americana, e ex-mulher de Fela Kuti. A causa da morte não foi divulgada, contudo, segundo o seu agente, Eric Trosset, nada teve a ver com o coronavírus.

Músico autodidata, Tony Allen começou a tocar bateria aos 18 anos, enquanto trabalhava numa emissora de rádio nigeriana. Ele foi influenciado pela música que seu pai ouvia, o jùjú (estilo popular iorubá da década de 1940), mas, de forma a desenvolver um estilo próprio, o baterista também estudou o trabalho de bateristas de jazz americano como Max Roach e Art Blakey, ou o revolucionário baterista ganês Guy Warren.

"Queria fundir todas as batidas numa só", disse Allen à rede de televisão brasileira GLOBO, em 2012. "Adorava [a banda de James Brown], mas não queria copiar ninguém. Afinal, sou nigeriano, não americano. Cheguei a um ponto de ser o único músico da banda que tinha total liberdade de criação. Tornei-me no diretor musical do Africa 70, a base das músicas era minha. O resto era o Fela quem escrevia e passava para os outros instrumentistas."

Tony Allen gravou mais de 30 álbuns com Fela Kuti e o Africa '70, mas desentendimentos acabaram por levar à sua separação.

Nos últimos anos, Allen voltou às suas raízes do jazz um EP de homenagem ao seu "herói" Art Blakey e se uniu esforços com Jeff Mills, no disco Tomorrow Comes the Harvest, de 2018, com quem esteve em Lisboa, em 2017, no festival Lisb-On Jardim Sonoro, a atuar. Este ano, a dupla também tinha atuações agendadas em terras lusitanas com uma nova atuação no festival lisboeta e uma atuação no dia 26 de Maio no Teatro da Trindade.

No início deste ano, Allen lançou o Rejoice, uma colaboração com o falecido trompetista sul-africano Hugh Masekela.

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