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A fome cavalga ao lado da peste, até em países desenvolvidos

A fome cavalga ao lado da peste, até em países desenvolvidos

AFP João Campos Rodrigues 30/04/2020 09:30

Falta alimentos de Chicago a Orleães, de Nova Deli a Caracas. A crise não é de subprodução: nos EUA colheitas são destruídas e na Venezuela apodrecem nos campos.

Com a ameaça do desemprego, devido à pandemia de covid-19, vêm as longas filas de pessoas desesperadas por comida: um contrassenso em tempos em que o isolamento social é a regra. Se nos habituámos a este tipo de imagens dramáticas em países em desenvolvimento, como o Quénia, Uganda ou Índia, onde as fomes periódicas se agravaram, não é tão costumeiro vê-lo em países como França ou os Estados Unidos. As Nações Unidas avisaram a semana passada que o número de pessoas em situação de insegurança alimentar pode duplicar dos 135 milhões para os 265 milhões, até 2020. Uma fome “bíblica”, à semelhança do livro do apocalipse, onde o cavaleiro da peste vem acompanhado da fome. E, no caso do Iémen, também da guerra.

Só nos EUA, mais de 26 milhões de pessoas ficaram desempregadas desde meado de março. Sem

contar com quase 14 milhões de desempregados que não puderam pedir subsídio por falta de capacidade administrativa, segundo estimativas do Instituto de Política Económica, ou com os trabalhadores em layoff ou horário reduzido. Nos bancos alimentares, o balanço é menos comida doada, mais pessoas necessitadas e menos voluntários. Face ao receio de contágio, muitas destas organizações recorrem a drive-throughs: este mês, uma destas filas, em Los Angeles, estendeu-se por mais de 1,6 quilómetros. Quem não tem carro, ou capacidade para pagar o combustível gasto nestes engarrafamentos, tem de arriscar as longas filas a pé.

“É a velocidade com que isto nos está a atingir que o torna tão difícil de lidar”, lamentou na altura Katie Fitzgerald, dirigente da rede Feeding America. “Os atuais inventários que temos não foram desenhados para servir o número de pessoas que precisam de ajuda agora”, avisou Fitzgerald à CNN, estimando um aumento de 40% nos pedidos de ajuda. Desde então, a situação não ficou mais fácil. A pandemia ganhou novas proporções em todo o país, ultrapassado o milhão de casos registados e 60 mil mortes.

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