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Luís Newton 25/04/2020
Luís Newton

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As novas lições de Abril

Este ano vamos todos celebrar a liberdade, enclausurados.

Todos? Não…

Uns poucos vão comemorar o 25 de abril numa cerimónia na Assembleia da República num evento devidamente planeado para que não exista risco de contágio e que conta, inclusivamente, com um parecer positivo da DGS.

Não que os pareceres da DGS representem garantia de coisa alguma, já que em janeiro a DGS considerava "um bocadinho excessivo" a possibilidade de contágio entre humanos, chegando mesmo a dizer não existir "grande probabilidade" de o vírus chegar a Portugal.

Porém o que aqui se discute é uma medida impositiva de quem se esperava o exemplo, sobretudo quando se vivem momentos de tão excecional restrição.

Importa recordar que foi a Assembleia da República (AR) que autorizou o Estado de Emergência, logo deveria ser a AR a mostrar que Ideologia não se deve sobrepor à Saúde Pública.

Chegou-se ao ponto de ver a segunda figura do Estado Português dizer que mais de oitenta por cento dos eleitores estavam representados nesta decisão, pois essa seria a percentagem dos deputados da AR que teriam votado a favor desta decisão.

Ao fazê-lo demonstrou o quão desligados estão da realidade dos portugueses.

Depois tivemos uma esquerda intelectual, que pretende dar lições de superioridade moral, vir dizer que haveria quem quisesse boicotar a celebração de Abril, numa clara manifestação de ignorância bacoca.

Algo extraordinário para uma esquerda sectária e revanchista, que coloca sempre a sua agenda ideológica acima dos interesses das próprias Comunidades, infetados por uma soberba que os impede de ver que é essa atitude que alimenta o crescimento dos “Vox” e dos “Chega”, e que a faz refugiar no argumento de que Abril tem dono e ela é o seu bastião.

Claramente querem esconder que Abril está em cada um de nós, que nós somos todos o seu guardião, querendo assim impor, quando Abril pretendeu derrubar os que impunham.

E hoje, aqueles que impõem ideologia à saúde pública, verdadeiros seguidores de Frei Tomás, perigam a democracia porque a atacam no seu cerne: a sua coerência.

É que se é possível planear com segurança uma cerimónia desta natureza, então também teria sido possível planear com segurança as despedidas dos entes queridos dos Portugueses que faleceram durante este período.

Nada tenho contra a celebração que vai ser feita na AR mas tudo tenho contra aqueles que, fruto da imposição e da intransigência, vão manchar as celebrações do 46º aniversário do 25 de abril de 1974 com a mais triste das reviravoltas: enquanto em 1974 o povo veio à rua celebrar contra a vontade do regime, em 2020 o regime vem à rua celebrar contra a vontade do povo.


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