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15% das famílias deixam atrasar a primeira dose da vacina do sarampo

15% das famílias deixam atrasar a primeira dose da vacina do sarampo

Mafalda Gomes Marta F. Reis 23/04/2020 09:47

Responsável pelo Programa Nacional de Vacinação diz ao i que resultados do país são “excelentes”, mas continua a haver margem para melhorar. A vacinação dentro dos prazos é um dos desafios.

Portugal mantém taxas de vacinação elevadas e um dos desafios passa agora por aumentar o cumprimento dos prazos do calendário de vacinação. O balanço é feito ao i por Teresa Fernandes, responsável pelo Programa Nacional de Vacinação (PNV). A Direção-Geral da Saúde apresenta esta quinta-feira a avaliação da adesão ao PNV em 2019. Teresa Fernandes adianta que os indicadores do país se mantêm num nível “excelente”. Aos dois anos, 99% das crianças já fizeram a vacina do sarampo e as restantes vacinas previstas para os 12 meses de idade. Entre os seis e os 18 anos, o que inclui a segunda dose do sarampo, parotidite epidémica e rubéola (VASPR), a cobertura é superior a 98%.

A Direção-Geral da Saúde, responsável pelo PNV, monitoriza a cobertura por ano de nascimento e em todas as coortes está garantido o patamar de 95%, que confere a chamada imunidade de grupo, diz Teresa Fernandes. “Temos excelentes resultados mas, se pudéssemos ainda melhorar, era ótimo”, diz. E, aqui, a vacinação atempada é a principal preocupação: aos 13 meses, 86% das crianças já fizeram a primeira dose da vacina do sarampo e a vacina da meningite C, ambas indicadas para os 12 meses, mas 14% registam assim um atraso de mais de um mês. Com o aumento de casos de sarampo em todo o mundo nos últimos anos, o atraso pode fazer a diferença no início de uma cadeia de transmissão a partir de casos importados, explica a médica. Depois de a doença ter sido dada como erradicada do país em 2016, o ano seguinte mostrou como tudo pode mudar a qualquer momento. Em 2017, Portugal voltou a ter dois surtos de sarampo, com 56 casos e uma morte, uma jovem de 17 anos que não resistiu às complicações da doença. Há 30 anos que o sarampo não matava no país. Desde então, Portugal voltou a registar todos os anos casos importados: Teresa Fernandes adianta ao i que, este ano, já foram registados seis casos, mais do que em todo o ano passado, todos de pessoas que contraíram a doença no estrangeiro.

Na Europa, os últimos anos ficaram marcados por números recorde de contágios. Tem havido um abrandamento mas, entre março de 2019 e fevereiro deste ano, não houve nenhum país europeu que não tivesse reportado casos. Segundo o último balanço do Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças (ECDC na sigla inglesa), neste período de 12 meses foram reportados na Europa 11 576 casos de sarampo, com França, Roménia e Itália a manterem-se como os epicentros do reaparecimento da doença, o que já tem sido ligado ao crescimento de movimentos antivacinas. Um terço dos casos foram em crianças com menos de cinco anos, mas a maioria em jovens e adultos. O ECDC adianta que dos cerca de 8 mil casos a nível europeu, neste último ano, em que se sabe se as pessoas tinham ou não feito alguma vez a vacina, 71% dos infetados não estavam vacinados, 18% só tinham feito uma dose da vacina e 9% fizeram as duas doses. A vacina não dá uma proteção total, mas reduz a severidade da infeção e a contagiosidade.

Com a preocupação de que a covid-19 leve a quebras na vacinação em todo o mundo, a Semana Europeia da Vacinação, que se assinala até ao próximo domingo, tem este ano o slogan “juntos estamos protegidos” (#ProtectedTogether).

 

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