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Sporting. Os novos ‘treinos’: a regra dos 10 metros, os horários e balneários fechados

Sporting. Os novos ‘treinos’: a regra dos 10 metros, os horários e balneários fechados

Laura Ramires 21/04/2020 08:38

A Academia de Alcochete abriu portas aos seus futebolistas, para que estes possam trabalhar de forma individual no relvado. Lá fora, o modelo a implementar é o mesmo.

O futebol vai regressar em maio. Ou em junho. Na pior das hipóteses, talvez em julho. Mas atenção: a bola só voltará a rolar se a pandemia de covid-19 entretanto permitir. Há mais de um mês que o coronavírus se tornou o árbitro principal deste jogo, qual presidente da UEFA ou FIFA. E desde que surgiu, ditou apenas uma regra: parou tudo! E assim foi. As cinco principais ligas europeias estão suspensas há várias semanas e apesar de todos os esforços e boas intenções demonstradas, é impossível hoje saber quando é que voltará a ser ouvido o já tão distante som do apito inicial. Ainda assim, o objetivo é continuar a acreditar que o desgosto não pode ser ainda maior, com o término dos campeonatos às três pancadas, num cenário inglório para todos. Como numa partida de futebol, além das características que reúne, este vírus já provou estar adaptado a todas as posições, tornando-se um adversário desleal e injustamente difícil de fintar.

Em Portugal, como se sabe, o pontapé de saída na luta contra a covid-19 foi dado com prontidão. A defesa foi o melhor ataque – e a tática tem permitido segurar a vantagem no marcador.

Contudo, continuamos a jogar em equipa, e, por isso, todos os passos dados na tentativa de recuperar a normalidade são vigiados de modo a evitar mais lesões.

Com regras muito apertadas, a equipa principal do Sporting regressou ontem à Academia de Alcochete para treinar de forma individual no relvado.

Balneários fechados e a regra dos 10 metros Na sessão de trabalho, cada futebolista teve meio-campo para si, nos seis relvados de Alcochete, e distanciamento “de pelo menos 10 metros”, informou o clube. O Sporting assegurou que todas as recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS) foram cumpridas e até “aumentadas”. Os jogadores deslocaram-se à academia no horário indicado pelo clube e tiveram que apresentar-se devidamente equipados, uma vez que os balneários encontram-se encerrados. “Todos os jogadores aproveitaram a possibilidade concedida e respeitaram as indicações dadas: chegaram equipados de casa, seguiram para os diversos campos, correram com e sem bola e regressaram diretamente às viaturas para voltarem a casa”, esclarece o clube.

Embora de forma muito condicionada, este foi o primeiro treino realizado pelos leões após o último jogo disputado na Liga portuguesa, no passado dia 8 de março (venceu o Aves, por 2-0, na estreia de Rúben Amorim no comando técnico leonino). A 10 jornadas para o final da prova, o Sporting ocupa o quarto lugar na tabela. Já o FC Porto lidera, com mais um ponto do que o Benfica (2.º).

Lá fora O regresso aos treinos sob várias condições parece ser, de resto, o principal objetivo para a maioria dos campeonatos. Ontem, a Liga e a Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) desenharam um protocolo para o regresso aos treinos do futebol profissional, que contempla várias medidas de segurança, entre as quais testes de diagnóstico à covid-19 e treino individual a anteceder sessões de grupo. Concluir a época na forma tradicional continua a ser meta primordial no país vizinho, o terceiro país do mundo mais afetado pela pandemia, depois dos Estados Unidos e da Itália. Já na Serie A espera-se que o regresso dos treinos aconteça em maio, “para se jogar em junho e julho”. Nesse contexto, a Juventus notificou os jogadores que estão fora do país para que voltassem para Turim esta segunda-feira. Porém, de acordo com o diário italiano Corriere dello Sport, Cristiano Ronaldo já terá feito saber que só irá regressar a Itália assim que for tomada uma decisão oficial quanto ao regresso da Liga. O internacional português continua a cumprir o período de quarentena na Madeira, onde está desde o início de março. Por sua vez, jogadores como Dybala, Douglas Costa e Alex Sandro eram esperados ainda ontem no país transalpino.

Na Alemanha, o plano para terminar a presente época passa pela realização de jogos à porta fechada. Para o presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Fritz Keller, esta poderá ser a única forma de evitar a falência de alguns clubes do principal escalão do futebol alemão. Os responsáveis da DFB e da Bundesliga vão reunir-se durante esta semana, com vista à elaboração de um plano para a conclusão do campeonato, suspenso até pelo menos até dia 30 de abril.

Jogos à porta fechada: o futuro próximo Jogar sem adeptos parece ser, aliás, a única medida garantida para o futuro próximo no futebol europeu. “É melhor jogar sem adeptos do que não haver jogos”, disse ontem o presidente da UEFA.

Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, Aleksander Ceferin disse ainda acreditar num regresso rápido dos campeonatos. “Ainda é cedo para darmos por terminada a temporada. O impacto seria terrível para os clubes e para as ligas”, lembrou. O líder do organismo que tutela o futebol europeu reforçou que o mais importante neste momento é seguir as recomendações das autoridades da saúde e esperar pela autorização para voltar a jogar: “Temos que respeitar as decisões das autoridades e esperar pela autorização para voltar a jogar. Não há prazo estipulado. Estamos a explorar uma vasta variedade de opções para ver quando as competições podem terminar, sempre com base nas datas da temporada seguinte”. “No início, o futebol só acontecerá na televisão [...] Estas medidas serão por um período limitado. Com tempo voltará tudo ao normal. Ainda vamos voltar a ver os estádios cheios”, rematou.

Apesar do otimismo sempre demonstrado na conclusão das provas, França parece estar contra a corrente. O presidente do sindicato dos jogadores francês, Sylvain Kastendeuch, assegurou que os futebolistas profissionais que representa estão dispostos a rejeitar a participação no que resta da Ligue1 2019/20, devido os riscos associados à pandemia.

Num patamar diferente das restantes provas parece surgir a Premier League, já que há consenso desde que a covid-19 entrou em campo: o título deve ser entregue ao Liverpool, com ou sem regresso do futebol. Anfield espera o título há 30 anos – e depois da temporada quase imaculada, Klopp e companhia mereciam uma celebração à proporção do feito.

 

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