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Vão ser retomadas as atividades suspensas no SNS

Vão ser retomadas as atividades suspensas no SNS

José Sena Goulão jornal i 18/04/2020 14:29

"O máximo da incidência da doença ficou no passado" entre os dias 23 e os 25 de março, de acordo com os dados, afirma a ministra da Saúde. Verificou-se uma redução do risco de transmissão, que se situa agora, segundo a média dos ultimos cinco dias, numa média inferior a 1%, logo cada caso confirmado teve o risco de gerar em média menos de um caso de transmissão.

O balanço diário das autoridades da saúde deste sábado revelou que existem 19.865 pessoas infetadas com covid-19 no país. 87% dos casos confirmados encontram-se em tratamento domiciliar.

Nas últimas 24 horas, ocorreram mais 30 óbitos, elevando o total de vítimas mortais para 687. 18 das vítimas mortais eram pessoas com mais de 80 anos, revela Marta Temido. A taxa de letalidade global está nos 3,5% e em pessoas acima dos 70 anos é de 12,5%.

À data de hoje, existem menos 37 pessoas internadas em enfermaria e mais 6 pessoas internadas em cuidados intensivos, comparativamente aos dados de ontem.

Foram registados ainda mais 91 casos de recuperação. No total, 610 conseguiram recuperar da covid-19, o que a ministra da Saúde apelida de um "número encorajador".

Entre o dia 21 de fevereiro e 6 de março a taxa de transmissão da doença foi de 2,08% - 1 caso teve o risco de gerar em média 2,08% casos. Desde que foram aplicadas mais medidas de contenção verificou-se uma redução, que se situa agora, segundo a média dos ultimos cinco dias, numa média inferior a 1%, logo cada caso confirmado teve o risco de gerar em média menos de um caso de transmissão.

"O máximo da incidência da doença ficou no passado" entre os dias 23 e os 25 de março, de acordo com os dados, afirma a ministra da Saúde, que não deixa de sublinhar que "até ao final de abril são esperados dias muito exigentes" e que as medidas de contenção devem continuar a ser cumpridas.

"Os desafios do SNS estão longe de ser ultrapassados", aponta Marta Temido, acrescentando que depois de terem sido suspensas, as atividades médicas vão voltar a ser retomadas. A atividade assistencial será retomada, as consultas e atividades que não foram realizadas dada a reorganização dos serviços irão voltar a ser marcadas faseadamente, não eliminando por completo a tele-medicina e as consultas não presenciais, essenciais nesta fase.

"No final da próxima semana espero que estaremos em condições de retomar a atividade normal de uma forma gradual", afirma a ministra.

Graça Freitas começou por esclarecer a taxa de letalidade em Portugal e dá o exemplo que uma pessoa com uma doença em estado avançado, mesmo que venha a falecer dessa doença, se estiver infetada com covid-19 entra nos números de óbitos registados no país.

A média de idades em vítimas mortais por covid-19 é de 81.4 anos. O óbito mais novo foi uma pessoa com 40 anos e a vítima mortal mais velha tinha 102 anos. Na região centro do país a média de idades dos óbitos é de 83.5%, superior à medida nacional.

Cerca de 40% das vítimas mortais tem outras patologias, "nomeadamentre 3,4, ou até mais", aponta Graça Freitas. "Não é uma fatalidade ser idoso, não é uma fatilidade ter doenças", acrescenta. 84 por cento dos óbitos por covid-19 acontece em ambiente hospitalar.

Questionada sobre a situação que se vive no lar de idosos de Alverca, onde há 52 casos confirmados de covid-19, a ministra da Saúde aponta que"Alverca é uma situação que se está a acompanhar juntamente da ARS de Lisboa e Vale do Tejo e está a ser acompanhada muito de perto. Apesar das difculdades, está em fase de controlo".

Nos últimos dias, as autoridades de saúde decidiram "aceitar o desafio" de testar todos os funcionários que trabalham em Unidades da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados ou em estruturas residencias para idosos.

Os esforços começaram na região norte, onde há mais casos de covid-19, e foi estipulado um calendário para esta intervenção. Depois seguir-se-á a região centro. "A estratégia está a ser feita mas ainda não há nenhum calendário fechado", afirma a ministra da Saúde.

"Até ao final da primeira semana de maio, esperamos ter concluido os testes diagnósticos a todos os profissionais", aponta Marta Temido.

Em relação ao descongelamento e ao levantamento das medidas de restrição, Marta Temido diz que é necessário "um grande equilibrío"entre os riscos que existem e a retoma à normalidade.

Graça Freitas diz que até haver uma vacina é necessário que a retoma à normalidade seja feita "de forma faseada" e que vão ser necessários "afinamentos" regulares para evitar a sobrecarga dos serviços de saúde.

Questionada sobre a sua visão sobre as celebrações do 25 de abril e do 1 de maio, Marta Temido afirma que "é importante celebramos certas datas para o nosso espiríto, para a nossa sociedade, para o sentimento de pertença, respeitando as regras de prevenção recomendadas pela saúde pública. Qualquer celebração terá de ter isso bem presente"

Sobre que regras é que as creches devem cumprir para garantir a maior segurança das crianças, Marta Temido afirma que não apenas as creches "mas todas as atividades que tem de auto-analisar-se e devem estabelecer as medidas adicionais para garantir uma maior segurança entre a população.

Questionada sobre a realização dos testes sorológicos, Graça Freitas diz que ainda é cedo para proceder a esta realização em massa no país. A capacidade de criar imunidade e anti-corpos leva tempo a surgir. É necessário ainda perceber quantos anti-corpos são necessários para a pessoa estar protegida e quanto tempo irá durar. "Temos várias incognitas".

O Instituto Ricardo Jorge está a trabalhar no desenvolvimento de testes sorológicos e afirma que é necessário "cautela" pois é necessário "ter confiança no teste e que ele está a medir o que é preciso ser medido", aponta a secretária-geral da Saúde.

Marta Temido afirma que em certos locais a distribuição de máscaras à população pode ser assegurada em vários contextos, por uma entidade privada ou uma entidade pública.

 

 

 

"Até descobrirmos uma vacina ou uma cura, nada vai voltar a ser como antes", salienta Marta Temido. "Os nossos próximos tempos vão ser vividos entre tempos que podemos estar mais próximos do limiar do número de casos e tempos que existe um aumento desse número de casos", aponta, acrescentando que é "importante" que a maior preocupação do ministério é que o número de casos não ultrapasse a capacidade do sistema de saúde.

 

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