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Apelo a Costa e a Marcelo para regresso a “uma certa normalidade”

Apelo a Costa e a Marcelo para regresso a “uma certa normalidade”

Luís Claro 14/04/2020 09:47

Empresários, políticos, médicos e economistas pedem uma estratégia para voltar à normalidade possível.

O regresso “a uma certa normalidade reinventada” com todas as cautelas. É este o desafio lançado a Marcelo Rebelo de Sousa, Ferro Rodrigues e António Costa numa carta com 159 subscritores, entre os quais empresários, políticos, gestores, economistas, médicos e enfermeiros. “Portugal precisa de, tão rápido quanto possível, reinventar e ajustar rotinas tendentes ao regresso a uma certa normalidade reinventada e, com isto, a nossa economia iniciar uma recuperação acelerada”, refere a carta dirigida ao Presidente da República, primeiro-ministro e presidente da Assembleia da República.

Os subscritores da carta, que se apresentam como “um conjunto de portugueses profundamente preocupados com o futuro do país”, consideram “desejável, que havendo garantias de saúde pública, em consonância com o parecer dos técnicos especialistas, o estado de emergência venha a ser levantado gradualmente com a mitigação da epidemia”. Alertam, porém, que o país deve começar a preparar “um plano de salvaguarda” para o risco de um eventual novo surto. Uma segunda vaga de covid-19 é um cenário dado como provável pelo Governo e uma das maiores preocupações referidas na carta. “Qualquer cenário de um segundo surto e consequente ‘lockdown’ num futuro próximo poderá ser catastrófico para o nosso país”.

A missiva alerta que “não é possível suspender a atividade económica até que não exista qualquer risco de contágio”, porque “o nosso modelo de sociedade não suportaria uma espera tão prolongada”. E, nesse sentido, avançam com um conjunto de propostas para controlar a propagação do covid-19 num cenário de regresso gradual à normalidade: “Uso obrigatório de máscaras por parte de toda a população”, “diagnóstico precoce de covid-19 testando todos os casos suspeitos num prazo máximo de 24 horas” desde a manifestação dos sintomas, “isolamento obrigatório” de todos os casos confirmados, manutenção de “todas as medidas de distanciamento social que não tenham impacto económico, tais como o regime de teletrabalho sempre que possível” e, entre outras, “disponibilização de solução de base alcoólica em locais públicos”.

A carta é subscrita pelo presidente da CIP, António Saraiva, pelo secretário-geral da UGT, Carlos Silva, pelo presidente da Liga Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, ou pela bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, Ana Paula Martins. Os ex-ministros Luís Pedro Mota Soares e Martins da Cruz e o ex-candidato à liderança do PSD Miguel Pinto Luz também alinham no apelo à construção de “um plano ambicioso” para “a nossa economia voltar a crescer e mostrar que Portugal, quando unido, ultrapassa todas as adversidades.

Ao i, Miguel Pinto Luz conta que a ideia de escrever esta carta nasceu num grupo mais restrito, na quinta-feira, e foi possível em 48 horas reunir quase 200 pessoas. “É sinal de que Portugal está com a capacidade de dar as mãos para ultrapassar estes momentos. Ter Carlos Silva, secretário-geral da UGT, ter António Saraiva, presidente da CIP, ter empresários, ter Boss AC, ter chefes de cozinha e locutores de rádio é, de facto, muito eclético. Foram 48 horas muito intensas mas espelha bem que a sociedade portuguesa está disponível para se mobilizar”, diz.

O debate vai continuar e uma das hipóteses lançadas por Pinto Luz é que o regresso “a uma nova normalidade” seja feito por regiões consoante o número de casos. “Se calhar podemos começar a pensar em separar regiões e poder abrir outras regiões. A China abriu regiões e fechou outras. Há vários países que abrem regiões e fecham outras, têm medidas diferentes por região. Itália teve para o Norte do que teve para o Sul. Acho que isso também ajudaria a economia a começar a restabelecer”, diz o autarca.

O secretário-geral da UGT também defende que é preciso começar a planear o que virá a seguir ao estado de emergência. Carlos Silva não concebe o regresso à normalidade nos próximos meses, mas alerta que é preciso começar a olhar para “o futuro imediato e perceber que a economia terá de reagir” (ver entrevista ao lado).

Pedro Mota Soares também garante que foi fácil juntar quase 200 pessoas em dois dias porque “esta carta representa um conjunto de portugueses que querem pensar não só o dia imediato, mas também o dia a seguir”. O ex-ministro da Segurança Social defende que é decisivo “olhar para a frente e começar já a tentar preparar um conjunto de medidas que nos permitam, nomeadamente, se existir um segundo surto, termos a capacidade de estarmos mais preparados para reagir”.

As decisões cabem ao Presidente da República, ao Governo e ao Parlamento, mas a sociedade civil também quer ser ouvida na estratégia para enfrentar a pandemia.

 

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