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Mário Centento prevê que recuperação demore dois anos

Mário Centento prevê que recuperação demore dois anos

João Amaral Santos 13/04/2020 21:09

 Ministro das Finanças admite perdas recorde no 2.º trimestre de 2020 (na ordem dos 20% do PIB), mas confia que no conjunto do ano a queda não vai ultrapassar os dois digitos. Nacionalizações não estão postas de parte.

“Foi uma vitória da Europa”. Foi desta forma que Mário Centeno recordou as conclusões da última reunião do Eurogrupo que definiu um pacote de três medidas – dirigidas ao apoio ao emprego, empresas e países – de 540 milhões de euros para combater os efeitos provocados pela pandemia de covid-19. 

Em entrevista ao Jornal das 8 da TVI, o ministro das Finanças considerou que “somos todos vencedores deste projeto europeu” e que as “redes de apoio” aprovadas, como lhes tornou a chamar, foi “a altura em que se reuniu [pelos Estados-membros] mais capital para este projeto europeu”.

Mário Centeno desvalorizou a oposição inicial da Holanda – admitindo que foi o país “mais reticente” em aprovar as três medidas – optando por destacar que o objetivo de “permitir que todos os países tivessem liquidez e as mesmas oportunidades” para fazer face à crise que se avizinha.

“Demorámos muito tempo a reagir na crise de 2008, mas, desta vez, conseguimos em apenas dez dias um quadro financeiro de apoio”, afirmou Centeno. Recorde-se que o acordo prevê 100 milhões para o emprego, 200 milhões para empresas e 240 milhões para países, com despesas, para já, exclusivas para o setor da saúde. “Este não é, porém, o fim da linha”, ressalvou o ministro das Finanças português e presidente do Eurogrupo, abrindo a porta a novas medidas no futuro mais imediato.

A reunião do Conselho Europeu – que permitirá oficializar o pacote de 540 milhões de euros – irá realizar-se no dia 23 de abril, e o Eurogrupo volta a reunir-se nos dias seguintes para voltar a discutir mecanismos de apoio aos Estados-membros para fazer frente aos efeitos da pandemia.

Dois anos para recuperar, segundo o ministro das Finanças

Mário Centeno acredita que Portugal pode demorar dois anos a recuperar para índices idênticos à pré-pandemia. “Se a crise for contida, e se iniciar um processo de recuperação a partir do segundo trimestre, mesmo com um processo lento de saída das dificuldades no 3.º e 4.º, é possível” que o estado da economia regresse aos números de 2019.

Apesar do cenário de crise, o ministro das Finanças acredita, porém, que “no conjunto do ano [2020] não devemos ter perdas de dois dígitos” do Produto Interno Bruto. O ministro das Finanças aponta para perdas equivalentes a 6,5% do PIB por cada 30 dias úteis com a economia do país paralisada – tal como ocorre atualmente –, mas acredita que haverá margem para recuperar com as medidas de apoio já em marcha e outras a ter em conta.

Ainda assim, o 2.º trimestre de 2020 deverá sofrer perdas recorde, que poderão atingir um número “quatro a cinco vezes superior” ao pior trimestre já registado – na altura, uma quebra de 4,3% do PIB no 4.º trimestre de 2012. Feitas as contas, o PIB do 2.º trimestre deve cair perto dos 20% no conjunto dos meses de abril, maio e junho.

Segundo as contas de Mário Centeno, o Estado deve perder entre seis e sete mil milhões de euros, para tentar travar a quebra da economia portuguesa neste período. O governante voltou a sublinhar as diferenças entre a crise financeira de 2008 para as consequências da covid-19. “Esta é uma crise com características diferentes. É uma crise temporária”, disse, elogiando a solidez da economia e do emprego no país, que, confia, vai permitir sair desta crise a caminho da normalidade. 

Ainda na entrevista, Centeno admitiu que “o cenário atual era impensável” há meses, tanto em Portugal como na Europa. Questionado, não fechou a porta a nenhuma decisão, entre as quais a possibilidade de avançar para a nacionalização de empresas – com destaque para a companhia aera TAP.

A fechar, o governante voltou a rejeitar responder se continua no Governo para lá do verão, optando por desvalorizar o seu papel no atual Executivo ou como protagonista para a resolução do atual contexto.

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