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Afonso de Melo 09/04/2020
Afonso de Melo

afonso.melo@ionline.pt

Amigo, e por extenso

Atropelei um sapo ontem à noite, na estrada entre a Comporta e Alcácer. Chovia muito, quase em cordas, estava escuro como dentro da alma de um corrécio, é tempo de os sapos saltitarem pelo alcatrão à procura das réstias de calor do dia, mas isso não é desculpa, bem sei, ninguém tem o direito de andar por aí a atropelar animais com a dignidade de batráquios com pose de juízes conselheiros.

Aqui há uns anos, em São Tomé, numa noite de trovões, em Ribeira Afonso, atropelei uma galinha. Ouvi um miúdo gritar, mais em estilo noticiário do que em tom de acusação: “Iiii! O branco matou a galinha”. Confesso que não parei. Não sei qual a valorização das aves de capoeira em Ribeira Afonso e não fiquei para saber. Aliás, a galinha estava na rua, não na capoeira.

Como sou filho único, os irmãos que tenho são autênticos, ninguém andou por aí a escolhê-los por mim. Ontem à noite vinha da solidão do Francisco Febrero, no Montalvo, para a minha solidão da Rua Rui Salema. O Nelson Rodrigues disse um dia sobre o Pelé: “Edson Arantes do Nascimento – por extenso Pelé”. Eu digo: “Francisco António Febrero – por extenso Xitó”. Somos irmãos há mais de 40 anos e, às vezes, nem damos por isso.

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