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Bolsonaro, sem medo do vírus nem da caneta, deverá demitir ministro da Saúde

Bolsonaro, sem medo do vírus nem da caneta, deverá demitir ministro da Saúde

Evaristo Sá / AFP Carlos Diogo Santos 06/04/2020 21:30

Após várias ameaças públicas, o presidente brasileiro deverá avançar hoje para a exoneração do ministro que defende o isolamento social como forma de conter o vírus. Mandetta, segundo uma sondagem recente, tem a confiança de 82% dos brasileiros que votaram em Bolsonaro.

A guerra entre o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, começou há já algum tempo com recados de parte a parte sobre o caminho que o Brasil deve seguir para controlar o novo coronavírus e hoje pode chegar ao fim, com a demissão do homem que os brasileiros acham que está a conduzir bem a pasta da Saúde neste período de incertezas. Segundo o jornal brasileiro O Globo, Bolsonaro estará já a preparar a demissão de Mandetta - que tem defendido o isolamento social como forma de controlar o vírus, contrariando aquilo que é a posição do Presidente brasileiro.

O jornal, que diz ter confirmado a informação junto de fontes do Palácio do Planalto, Brasília, noticia ainda que o deputado federal Osmar Terra (do partido MDB) é uma forte hipótese para a sucessão de Mandetta. Terra foi ministro da Cidadania até fevereiro. Também têm circulado rumores de que o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, poderá ser uma das opções de Bolsonaro.

Luiz Henrique Mandetta, politico e médico ortopedista, tem evitado sempre responder de forma direta às posições de Bolsonaro – que chegou já a referir-se à covid-19 como uma “gripezinha” -, assim como às suas ameaças. Ontem, ao ser questionado sobre novas ameaças públicas de demissão por parte do presidente, Mandetta respondeu ao jornal Estadão com voz de sono: “Estou dormindo. Amanhã eu vejo, tá?”.

A resposta do ministro chegou depois de Jair Bolsonaro ter ironizado com o trabalho de Mandetta à porta do Palácio do Planalto, dizendo que “algo subiu na cabeça” de alguns seus subordinados, mas que “a hora deles vai chegar”.

"Algumas pessoas no meu governo, algo subiu a cabeça deles. Estão se achando. Eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas. Falam pelos cotovelos. Tem provocações. Mas a hora deles não chegou ainda não. Vai chegar a hora deles. A minha caneta funciona. Não tenho medo de usara a caneta nem pavor. E ela vai ser usada para o bem do Brasil, não é para o meu bem".

Uma sondagem do Datafolha recente mostrou que entre os eleitores de Jair Bolsonaro 82% classificaram o trabalho de Mandetta como ótimo ou bom, o que aparentemente fragiliza posição do atual presidente.

 

Movimento “Não Demita”

Há três dias, vários empresários de peso assinaram um manifesto no qual se mostravam solidários com as orientações da Organização Mundial de Saúde e com o Ministério da Saúde brasileiro. Sob o mote “Não demita”, retalhistas como o Grupo Pão de Açúcar e o Magazine Luiza, assim como gigantes da banca e de diversos setores apelavam aos outros empresários para não despedirem trabalhadores durante a pandemia.

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