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Pico previsto para o final de maio. “Até haver uma vacina, isto vai durar”

Pico previsto para o final de maio. “Até haver uma vacina, isto vai durar”

TIAGO PETINGA/LUSA Rita Pereira Carvalho 29/03/2020 21:37

Direção-Geral da Saúde alertou para o crescimento lento da epidemia e apontou o pico para o final de maio. Lares são uma preocupação: têm registado casos positivos todos os dias.

O número de casos positivos de infeção por covid-19 está a aumentar a um ritmo inferior ao que estava previsto. Este domingo, o crescimento foi de 15% - passou de 5170 casos para 5962 - e o ritmo lento da subida do número de casos pode atrasar o pico da epidemia, inicialmente previsto para meio de abril. Aliás, durante a conferência de imprensa de sábado, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, avançou que o pico epidémico poderia ser atingido apenas no final de maio. “Isto não é uma coisa de uma quinzena ou dois ou três meses”, referiu Graça Freitas, acrescentando que “até haver uma vacina, isto vai durar, o vírus vai replicar-se nas pessoas e já percebemos que é um vírus muito inteligente”.

Em entrevista ao SOL, Óscar Felgueiras, matemático da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto que tem trabalhado na modelação da epidemia, referiu que durante esta semana - não sendo o pico da epidemia -, a previsão aponta para os 10 mil casos confirmados.

O boletim diário da Direção-Geral da Saúde divulgado este domingo apontava também uma diferença em relação aos anteriores: Lisboa registou 594 casos, ultrapassando o número de infetados registados na cidade do Porto, que foi de 417. O número de mortos, que foi de 119, continua a ser mais elevado na região Norte. O Centro e a região de Lisboa e Vale do Tejo registaram o mesmo número de óbitos - 28 -, apesar de, no Centro, o número de infetados ser de metade.

Também este domingo, o Ministério da Saúde confirmou a morte de um jovem de 14 anos, residente em Ovar. O jovem deu entrada no Hospital de São Sebastião, em Santa Maria da Feira, no sábado, dia em que o teste para covid-19 deu positivo. Durante a conferência de imprensa, Marta Temido, ministra da Saúde, explicou que a causa da morte “está ainda em investigação”, sendo necessário “cuidado e reserva na análise”.

Este fim de semana, Graça Freitas revelou ainda que “764 profissionais de saúde acusaram positivo para covid-19” desde o início do surto em Portugal. A diretora-geral sublinhou que desse total - que engloba médicos, enfermeiros e auxiliares médicos -, não se sabe quantos estarão ainda com o diagnóstico de covid-19, porque “os primeiros casos já podem ter tido dois testes negativos”, o que significaria que podiam ser considerados como recuperados.

“A questão dos lares” As atenções estão também viradas para os grupos de risco, que incluem pessoas com mais de 70 anos e com outros problemas de saúde associados. Neste contexto, os lares podem ser espaços de potencial contágio e, ao longo da última semana, o número de utentes e funcionários infetados por covid-19 tem aumentado. Este domingo, o apelo foi feito pelo Centro de Apoio e Solidariedade da Pousa, onde foram confirmados nove casos - cinco idosos e quatro funcionárias.

Com a propagação do vírus entre funcionários, os lares veem-se sem saída, uma vez que não têm uma segunda linha de recursos humanos para garantirem os cuidados aos utentes. Neste contexto, o Hospital das Forças Armadas do Porto recebeu este domingo, ao final da tarde, um grupo de 17 idosos de um lar de Albergaria-a-Velha, infetados pelo novo coronavírus. No total, o Hospital das Forças Armadas do Porto tem já 57 utentes provenientes de três lares - na semana passada tinham sido transferidos 40 idosos dos lares de Vila Real e de Vila Nova de Famalicão.

Em Lisboa, o cenário é idêntico. No Lar dos Inválidos do Comércio, no Lumiar, nove funcionários testaram positivo, assim como três idosos - um dos quais morreu. No lar da Santa Casa da Misericórdia de Foz Côa, na Guarda, 47 dos 62 idosos da instituição estão infetados.“Não podemos deixar ninguém abandonado à sua sorte”, disse Marta Temido, acrescentando que “a questão dos lares é muito delicada”.

Durante a conferência de imprensa diária, a ministra da Saúde referiu que as instituições que prestam cuidados a idosos devem seguir determinadas regras, como o distanciamento de 1,5 a 2 metros entre cadeirões, reduzir a circulação nos corredores, estabelecer diferentes horários de refeições e que os funcionários sejam divididos por equipas para evitar cruzamentos. 

 

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