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Escolas. Servidores online sobrelotados não impedem de dar asas à imaginação

Escolas. Servidores online sobrelotados não impedem de dar asas à imaginação

Pedro Almeida 29/03/2020 15:02

As escolas estão fechadas na maior parte dos países, mas existem projetos inovadores para a comunicação entre docentes e alunos. Em Espanha, há professores voluntários a ajudar crianças e no Brasil existem escolas a apelar à criatividade.

O caos provocado pelo novo coronavírus tem chegado às escolas de todo o mundo. Em Espanha, onde se registam 4089 mortes e mais de 56 mil infetados, até esta quinta-feira, as escolas estão fechadas e muitos professores têm deixado de lado as plataformas online, muitas vezes com os servidores sobrelotados, optando pelas aplicações de telemóvel. É o caso de Francisco Javier Garcia, professor de Geografia, em Sevilha, que contou ao El País que já não consegue aceder às plataformas e-learning criadas para a comunicação entre docentes e alunos. “Os servidores estão bloqueados. Desde segunda-feira que trabalho com eles através dessas plataformas, mas não está a dar. Criámos um grupo de WhatsApp e estamos a partilhar aí a experiência de cada um de nós nesta fase”, sublinhou. Paloma Rodrigues, professora secundária em Madrid, vai mais longe e admite que existem muitas falhas nas ligações em videochamada. Até uma simples mensagem, por vezes, não é enviada. “A única coisa que está a funcionar é a solidariedade dos professores”, relatou, evidenciando o fosso digital em Espanha, que se estende para aqueles que não têm possibilidades de ter internet em casa. 

Na América Latina e nas Caraíbas, por exemplo, cerca de 154 milhões de estudantes ficaram sem aulas, o que pode provocar, segundo a UNICEF, o abandono escolar definitivo das crianças de famílias mais desfavorecidas, uma vez que o ensino virtual não é opção, dada a situação económica. 

Apesar de todas as dificuldades de um mundo diferente, há que inovar naquilo que é feito para aqueles que têm a possibilidade de ter aulas em casa. Em São Paulo, no Brasil - país que já soma 63 mortes e 2589 casos confirmados por covid-19 até esta quinta-feira -, a escola italiana Eugenio Montale fez isso mesmo e, para sair da plataforma tradicional e-learning, criou um modelo mais criativo, colocando os alunos a ver a própria casa como se fosse uma sala de aula. “As salas presenciais são pequenas e têm entre 10 e 15 alunos, o que possibilita uma aula mais interativa”, disse a presidente da Associação Educacional, Eugenio Montale, a uma agência noticiosa italiana. Neste modelo, para complemente as aulas ditas normais, existem ainda mais dois projetos, um ligado ao design e outro de apresentações de fábulas italianas.

Por outro lado, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, diz não ser necessário adotar estas estratégias e já alertou que, apesar de todo este alarido criado à volta do surto epidemiológico, quer a reabertura das escolas no Brasil, uma vez que “o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Porque querem fechar as escolas?”, questionou, reforçando a ideia de que o país tem de regressar à normalidade.

Voluntariado na Educação Além das dificuldades que professores e alunos encontram no dia a dia para lidar com as tecnologias, existem crianças que ficaram sem aulas em Espanha por não haver docentes suficientes. No entanto, como a esperança é a última a morrer, há quem se ofereça para ajudar os mais novos nestas circunstâncias. Acontece em Madrid. Adrián Plasencia, de 23 anos e residente em Tenerife, é um dos mais de 300 estudantes da área de educação da Universidade Complutense que se voluntariaram e foram chamados para avançar com este projeto inovador. 

“Estou 100% disponível, porque não faço nada em casa. Não posso sair de casa nem adiantar o meu trabalho. E não consigo pensar em nada melhor do que ajudar para lidar com toda esta ansiedade. Acho que todos nós que estudamos esta área devemos contribuir com o pouco que conseguimos nesta altura”, confessou Plasencia, ao El País.

Já no continente asiático, a China - país que se tornou o epicentro do coronavírus mas no qual o surto tem vindo a desaparecer - deu acesso a material didático para as crianças através de transmissões de televisão ao vivo, assim como o Irão, que procura transportar uma programação mais educativa para a rádio e para a televisão. “Além de atender às necessidades imediatas, esse esforço é uma oportunidade para repensar a educação, ampliar o ensino à distância e tornar os sistemas de educação mais resilientes, abertos e inovadores ”, disse a diretora geral da UNESCO, Audrey Azoulay, de acordo com o The Guardian.

Na China, as escolas já começaram a abrir, mas a maior parte permanece fechada. E é assim que vão continuar em grande parte dos países da Europa, nomeadamente Portugal, à espera de melhores dias.

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