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Pandemia. Como se faz política em estado de emergência?

Pandemia. Como se faz política em estado de emergência?

Hlena Garcia Cristina Rita 26/03/2020 15:30

A comissão permanente do PS comunica pelo WhatsApp. No PSD, a sede está fechada. Coordenadora do BE deu conferência em streaming.

Aos poucos, todos os partidos se foram adaptando à nova realidade da pandemia da covid-19 nas últimas duas semanas. Começaram por cancelar jantares, encontros ou fóruns de maior dimensão, mas rapidamente a solução passou por evitar reuniões presenciais, deslocações a feiras, certames, e, agora, a resposta passa pelas redes sociais, as transmissões de reações em streaming ou vídeo. Até no Parlamento há novas regras, com plenários reduzidos, na sua maioria, a um quinto dos deputados.

A maioria dos partidos tem os trabalhadores em modo de teletrabalho; a sede do PSD, por exemplo, está fechada; enquanto o PS “decidiu reduzir o horário de funcionamento ao público (das 10h às 17h), privilegiando os meios de comunicação digital e telefónicos ao dispor para manter o contacto com os militantes”, conforme refere uma nota oficial.

Também a comissão permanente dos socialistas passou a trabalhar “via WhatsApp” e as federações e concelhias seguem o mesmo modelo na sua comunicação interna. Foram suspensas iniciativas como as sessões Diálogo Olhos nos Olhos ou os Diálogos de Gerações, no jardim do Rato. Já estava aprazado um frente-a-frente com Manuel Alegre e Filipa Martins. O PS, diz a mesma nota, está a preparar outro tipo de iniciativas, em versão digital, dirigidas a um público mais jovem. E criou um espaço dedicado à covid-19. As reações do PS são transmitidas em vídeo e o congresso previsto para 30 e 31 de maio aguarda nova data, algures no verão.

Do lado dos sociais-democratas, o líder do PSD, Rui Rio, diminuiu o número de deslocações entre Lisboa e Porto, a sua comissão permanente comunica por telemóvel, SMS, email e WhatsApp, e já está testada uma solução de reuniões por videoconferência, sempre que se justifique. Da lista de vice-presidentes do partido há um que estará mais ausente por motivos óbvios: Salvador Malheiro é o autarca de Ovar, o concelho em confinamento sanitário há mais de uma semana. O PSD prometeu colaboração ao Governo, suspendendo, em parte, o seu papel de oposição. A ordem é dar prioridade à saúde e salvar o maior número de vidas. O estado da economia é o segundo maior problema e Rui Rio saiu bastante apreensivo da reunião convocada pelo primeiro-ministro para avaliar a situação epidemiológica.

O Bloco de Esquerda também se ajustou à situação, recorrendo às redes sociais, lançando sessões de debate online e recolhendo denúncias sobre a situação de trabalhadores nesta fase (ontem lançou o espaço informação Despedimentos.pt no Esquerda.net). Catarina Martins deu na semana passada uma conferência de imprensa via streaming, após uma reunião por videoconferência com a nova líder da CGTP. Já o PCP lançou na semana passada o espaço denuncia@pcp.pt. no seu site e já realizou uma conferência de imprensa via Skype.

No CDS, a maioria da comunicação faz-se por email, vídeos e contactos em rede. O próprio líder, Francisco Rodrigues dos Santos, decidiu voluntariar-se para as Forças Armadas, o que considera ser conciliável com a direção dos centristas.

O PAN, por seu turno, adotou contactos também por videoconferência e tem estado muito ativo no envio de propostas, por email, para acautelar situações provocadas pela pandemia. O PEV também está a funcionar em teletrabalho, mas mantém um ou dois assessores no Parlamento. E usa as redes sociais para comunicar.

A Iniciativa Liberal adaptou-se à versão digital (já o fazia antes) e o Chega, por exemplo, acabou por retirar os dois projetos para abrir uma revisão constitucional. No Governo também há adaptações: ontem o ministro das Finanças deu uma conferência em direto via Twitter.

 

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