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Vítor Rainho 26/03/2020
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

O primeiro-ministro despreza os médicos porquê?

O drama do coronavírus não olha a países e, como é óbvio, os mais pobres têm mais dificuldades em comprar material para acudir a esta tragédia. Faltam ventiladores e máscaras em todo o lado e é natural que os mais ricos consigam chegar-se à frente.

Neste momento dramático em que vivemos assistimos às coisas mais insólitas. O líder do PSD abandona o Parlamento porque acha que há deputados a mais do seu partido no hemiciclo, não cumprindo dessa forma as condições higiénicas necessárias para evitar a propagação da covid-19. O primeiro-ministro vai à TVI dizer com a maior cara de pau que não tem faltado nada nos hospitais. Ouve-se e volta a ouvir-se e pensamos que estamos noutro país. Mas António Costa deixou de saber ler e ouvir? O bastonário dos médicos ou o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos não repetiram até à exaustão que faltam milhares de coisas nos hospitais? Desde máscaras a kits para a despistagem a profissionais de saúde que estiveram em contacto com doentes infetados com o coronavírus, além dos doentes com sintomas?

O primeiro-ministro até pode querer, e bem, evitar o pânico, mas daí a querer fazer de Portugal uma nação de Alices no país das maravilhas vai todo um mundo. O drama do coronavírus não olha a países e, como é óbvio, os mais pobres têm mais dificuldades em comprar material para acudir a esta tragédia. Faltam ventiladores e máscaras em todo o lado e é natural que os mais ricos consigam chegar-se à frente. Por isso mesmo, não se entende como o Governo não põe fábricas a produzir o que falta. Calculo que a operação não seja fácil, mas nada como tentar ganhar tempo antes que o vírus se espalhe, como todos os especialistas dizem que vai acontecer.

Mas vivemos em Portugal e tudo é possível. Há quem queira que só seja verdade o que se diz na televisão, mas não é bem assim. Costa bem pode repetir até à exaustão que não tem faltado nada nos hospitais que não é verdade. O primeiro-ministro devia ouvir com mais atenção o que dizem os médicos que estão na linha da frente – uma das profissões mais afetadas pelo coronavírus – para não dizer os disparates que diz na televisão. Percebe-se que o momento é dramático, mas não vale tudo. Os profissionais de saúde não o merecem.

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