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Tóquio 2020. Quando um mês são dois dias: Jogos Olímpicos oficialmente adiados

Tóquio 2020. Quando um mês são dois dias: Jogos Olímpicos oficialmente adiados

Laura Ramires 25/03/2020 10:43

Presidente do Comité Olímpico Internacional tinha prometido uma decisão final para a última semana de abril, mas a pressão crescente confirmou o anúncio mais esperado. Tal como o Europeu de futebol, Jogos Olímpicos só em 2021.

Até à última sexta-feira, Thomas Bach, líder do Comité Olímpico Internacional (COI), era categórico: apesar da globalização da pandemia, não seria responsável, e seria até prematuro, entrar em especulações e tomar já uma decisão final sobre os Jogos Olímpicos. Para o líder do COI, a incerteza era o que tornava esta crise à escala mundial única – e, nesse sentido, na perspetiva de Bach, ainda não havia quaisquer razões para alarmismos, uma vez que faltavam cerca de quatro meses para o evento, agendado para Tóquio, entre os dias 24 de julho e 9 de agosto. Apesar da confiança e do otimismo que o dirigente manteve em todas as suas declarações públicas -– mesmo depois do adiamento do Europeu de futebol, previsto para junho e julho –, os problemas começaram a surgir em catadupa. O organismo não quis, porém, ceder aos primeiros obstáculos e prosseguiu com o movimento olímpico durante a última semana, com a entrega da chama olímpica ao Japão numa cerimónia que não contou com público nas bancadas devido ao risco de contágio da covid-19.

Contudo, a pressão sobre o COI não demorou a aumentar, desta vez de forma exponencial: com vários países a cumprirem a quarentena devido ao novo coronavírus, vários comités olímpicos nacionais alertaram para o facto de os atletas não conseguirem cumprir com sucesso os planos de treino em casa. Uma sondagem revelaria, entretanto, que quase 80% dos atletas contactados para um estudo estavam a favor da não realização do evento.

As soluções apresentadas pelo COI tornavam-se visivelmente insuficientes face aos problemas diários apresentados. Como tal, já no último domingo, Bach abordava pela primeira vez a possibilidade de adiar os Jogos. Numa carta enviada aos atletas, o presidente avançava com uma decisão final sobre os Jogos para daqui a um mês (até ao final de abril), e sublinhava de novo que só o cancelamento não era considerado uma alternativa.

O COI tentava agora ganhar tempo e pedia que os JO fossem encarados como um “símbolo de esperança” nestes “dias cinzentos”, Todavia, e apesar da mensagem inspiradora, o desagrado dos competidores perante a dúvida tornava-se a cada dia mais audível.

Perante a incerteza, nesta segunda-feira, Canadá e Austrália foram mais longe e anunciaram a desistência dos Jogos Olímpicos. Ainda durante o dia de ontem, de forma mais ponderada, o Comité Olímpico de Portugal (COP) pediu firmeza e rapidez no anúncio de uma solução de adiamento dos Jogos.

 

Jogos adiados para “proteger vidas”

O cenário mais esperado ficou confirmado nesta terça-feira, quando faltavam precisamente quatro meses para o arranque do evento. Os Jogos Olímpicos foram adiados para 2021, como forma de “proteger vidas”, esclareceu Thomas Bach.

Ainda sem novas datas estipuladas, sabe-se por enquanto que o evento não será realizado depois do verão do próximo ano – de resto, mantém a mesma denominação “JO Tóquio2020”.

Após o anúncio, o presidente do COI desvalorizou a vertente financeira do projeto, lembrando que o fator económico nunca pesou na equação para uma decisão final. “As consequências financeiras do adiamento não foram discutidas e não são a prioridade. Isto é para proteger vidas”, assegurou, apesar de as estimativas apontarem para gastos superiores a 25,5 mil milhões de euros.

A sentença foi, de resto, aplicada após reunião através de vídeoconferência entre Bach e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, juntamente com o presidente do Comité Organizador, Yoshiro Mori, com a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, e com outros elementos do COI. Foi, aliás, Abe quem propôs o adiamento das Olímpiadas para 2021, pedido aceite pelo líder do COI, revelou o próprio governante.

Desde a edição inaugural da era moderna (Atenas 1896), esta é a primeira vez na história que os Jogos Olímpicos são adiados, depois de três cancelamentos devido ao eclodir das guerras mundiais: em Berlim 1916, em Tóquio 1940, antes de serem transferidos para Helsínquia, e Londres 1944. De relembrar que eram esperados mais de 10 mil atletas oriundos de 200 países. Em 2018, o Ministério do Turismo do Japão projetou que cerca de 600 mil espectadores estrangeiros estariam no país para ver o evento.

“É uma notícia triste para nós, mas é uma medida necessária para que tudo volte à normalidade e possa acontecer da melhor maneira”

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