6/4/20
 
 
Vítor Rainho 20/03/2020
Jornal i

vitor.rainho@newsplex.pt

Coronavírus.É preciso impedir uma caça aos supostos positivos

Como sabemos, os portugueses são um povo que adora vestir a pele de polícia. Seja na estrada, onde também gostam de vestir a farda de bombeiros, seja nas filas para os supermercados... Dito isto, acho muito perigoso o caminho que se está a seguir, já que, como disse, os portugueses têm uma tendência muito forte para quererem ditar as regras.

Ontem, quando fui comprar pão ao mercado do bairro onde vivo, reparei que a D. Lurdes limpava o terminal de multibanco sempre que algum cliente fazia o pagamento. Algumas pessoas, curiosamente as mais velhas, mostravam-se contrárias às regras de segurança e diziam que tudo não passa de “balelas”. Depois, quando fui à peixaria, o cenário não foi muito diferente. Noutros locais onde fui, notava-se alguma crispação entre as pessoas, com o ar reprovador daqueles que usam máscara para os que não usam e vice-versa. Sente-se um agressividade no ar que não augura nada de bom.

Como sabemos, os portugueses são um povo que adora vestir a pele de polícia. Seja na estrada, onde também gostam de vestir a farda de bombeiros, seja nas filas para os supermercados... Dito isto, acho muito perigoso o caminho que se está a seguir, já que, como disse, os portugueses têm uma tendência muito forte para quererem ditar as regras. Alguém que esteja numa fila para o supermercado e tenha o azar de espirrar corre o risco de ser espancado ou, numa versão mais soft, ser expulso do local. Será, pois, da mais elementar justiça que o Governo e outros organismos façam apelos ao bom senso para não se cair numa caça às bruxas, neste caso aos supostos infetados com o coronavírus. Que podem, na maioria dos casos, estar tão sãos ou mais do que os novos “polícias” do coronavírus.

 

P. S. Foram muitos os médicos e especialistas que defenderam que o Governo acordou tarde para as medidas drásticas. Há mesmo quem defenda que estamos perante uma guerra biológica e que é preciso fechar tudo a sete chaves e pedir aos militares para tomarem conta da situação. Como é óbvio, nenhum Governo quer tomar medidas contra o seu próprio povo, mesmo ponderando os custos financeiros para conter a pandemia. Mas começa a ser difícil compreender por que razão o Executivo não anunciou a afetação de algumas fábricas para o fabrico ininterrupto de máscaras, gel desinfetante ou material de proteção.

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