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Mário Bacelar Begonha 19/03/2020
Mário Bacelar Begonha

opiniao@newsplex.pt

A eutanásia e o ciclo da vida

A Eutanásia é uma questão do foro pessoal, da consciência de cada um, em que a Educação--Formação, que se adquiriu, é decisiva

Uma Nação é caracterizada pela unidade entre todos, em que todos são responsáveis por todos. Ninguém é dispensável ou inútil, todos são necessários para o projeto da Nação, que necessita de todos.

A Vida é um bem superior ao ego de cada um e, por isso, o individual deve ser preterido em relação ao coletivo.

Ninguém pode atentar contra a sua própria vida, porque além de ser um ato egoísta, prejudica e lesa a Nação. Quem o tentar pode por Lei, ser sancionado pela Justiça.

A vida só vale a pena ser vivida quando é partilhada com os nossos semelhantes, em plena cooperação social, com o objetivo de construir uma sociedade mais igualitária, mais justa e com uma Educação com alguma austeridade que vise os Princípios, os Arquétipos e o Caráter, que como é sabido é a Marca e ainda a noção de Dignidade. Quem aprende a respeitar-se a si próprio e a respeitar os outros, ou seja, a respeitar a Vida, nunca lhe passou pela cabeça colocar fim à sua.

Sabemos, no entanto, que há circunstâncias especiais e dramáticas, que por vezes, podem levar a decisões radicais.

Por norma a Vida deve ser preservada, a todo o custo, e, por isso mesmo até na Guerra, há códigos e regras internacionais que os soldados regulares respeitam e cumprem, ao contrário dos mercenários, que são pessoas fora da Lei

A questão da Eutanásia é apenas, e tão-só, uma questão do foro pessoal, da consciência de cada um, em que a Educação-Formação, que se adquiriu, é decisiva. Não é um Referendo nem uma Lei, elaborada no Parlamento, que vai resolver esta questão, até porque o Parlamento não pode obrigar um Médico a “Matar” um paciente que queira morrer. Será uma Lei sem Eficácia, até por que a Ordem dos Médicos, já afirmou que qualquer Médico que viole o “Juramento de Hipócrates”, será sancionado pela Ordem, mesmo que a Lei aprovada pelo Parlamento, esteja em vigor, ninguém poderá ser punido por se recusar, em consciência, a ajudar alguém a suicidar-se. NINGUÉM!

Por isso pensamos que é indiferente qualquer das soluções propostas, já que não é possível, no Portugal Democrático, obrigar alguém a violar a sua consciência, só porque a Lei permite que se possa ajudar alguém a morrer.

Mas quem teve a sorte de ter tido uma Educação com Princípios e, sobre tudo, Completa, ou seja, nos planos Intelectual, Físico e Moral, não está nada preocupado com o assunto, já que isso é uma matéria que nem sequer nos damos ao trabalho de equacionar.

Não podemos deixar de cumprimentar a direção do PCP que, pela voz de Jerónimo de Sousa, transmitiu ao País a posição do seu Partido, em relação à Eutanásia que de facto nos leva a afirmar que este PCP, evoluiu e já não é aquele que a nossa Geração estudou na Faculdade, nos anos 60 o que nos obriga hoje, a uma Exegése séria, para recentrar o Partido no plano político. Aqui talvez António Costa tenha contribuído um pouco para tal realidade.

Igual cumprimento ao bastonário da Ordem dos Médicos, pela imediata posição tomada que, mais uma vez, dignifica a classe, que nos últimos anos tem visto, injustamente, o seu prestígio afetado, talvez por culpa de terceiros que não lhes criam condições dignas para poderem exercer o seu tão necessário Mister.

 

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