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José Cabrita Saraiva 19/03/2020
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Marcelo não podia ter feito outra coisa

A verdade é que Marcelo não podia fazer outra coisa. O que se diria se a situação em Portugal chegasse ao caos de Espanha ou de Itália?

A pandemia continua a evoluir de forma aterradora, superando os 200 mil casos em todo o mundo. Aqui ao lado, em Espanha, segundo os últimos dados, havia ontem mais de 13 mil infetados e já tinham morrido 616 pessoas. Em Itália, o número de mortes atingiu o recorde: 475 num só dia, num total de quase três mil fatalidades. E já há quem preveja que os doentes com mais de 80 anos naquele país venham a ser simplesmente abandonados, para tratar aqueles que têm mais anos de vida pela frente.

Portugal pode ser um país um bocadinho à parte em muitos aspetos, mas está tão vulnerável à pandemia como os outros. Por isso deve olhar para estes casos e tirar as suas conclusões: não queremos chegar a este ponto. Face ao cenário, Marcelo Rebelo de Sousa anunciou no passado domingo que convocara o Conselho de Estado para decidir se decretaria o estado de emergência no país. E decretou mesmo.

O primeiro-ministro – que de uma forma geral tem estado bastante bem – deu a entender que preferia uma solução menos radical. Mas a verdade é que Marcelo não podia fazer outra coisa. O que se diria se a situação em Portugal chegasse ao caos de Espanha ou de Itália? Ainda não é absolutamente certo que o consigamos evitar – mas com o estado de emergência decretado tornou-se menos provável. A quem se assacariam as culpas quando o número de vítimas começasse a multiplicar-se?

A decisão de Marcelo é sem dúvida a que dá mais garantias de reduzir o número de vítimas. Ao mesmo tempo, é a que mais protege os profissionais de saúde, já tão sobrecarregados, que estão a cuidar dos sãos e dos doentes. Ninguém compreenderia que o Presidente optasse por uma espécie de deixa andar e depois logo se vê. Isso significa que António Costa está errado? Só em parte. O primeiro-ministro tem toda a razão quando diz que o país tem de continuar a funcionar. Mas precisamente por isso é que é preciso tomar medidas preventivas muito rigorosas. Olhemos para o caso de Itália: facilitar nunca deu bom resultado.

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