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Cristóvão Norte 16/03/2020
Cristóvão Norte
Opiião

opiniao@newsplex.pt

Quarentenas sanitária e económica têm de andar a par

Quão mais cumpridores formos, maior é a probabilidade de romper as cadeias de transmissãoda Covid-19.

Perante a grave ameaça que estamos a enfrentar, muitos de nós, a maioria, adotaram uma conduta marcada pelo sentido de responsabilidade. Por isso, tomamos medidas precaucionais, de autorreclusão, ditadas pelo respeito pelos outros, por nós próprios, pela vida e pela autopreservação. Outros, já heróis, cuidam nos hospitais, nos centros de saúde, abastecem nos supermercados, expostos, mas devotados à missão que lhes compete, entre outras funções de risco que são credoras da nossa gratidão. Este esforço apenas pode ser coroado de êxito – e êxito, neste campo, é minimizar as privações que vamos ter de enfrentar – se for prosseguido, com rigor e paciência, de forma meticulosa, por todos. É um esforço comum, um dos maiores desafios de cidadania que enfrentaremos na nossa vida. Sejamos capazes de estar à altura. Quão mais cumpridores formos, maior é a probabilidade de romper as cadeias de transmissão da Covid-19. Para aqueles que têm naturais preocupações com a economia, só resta apontar que a dúvida e a incerteza são demolidoras. Eliminar o vírus é pressuposto para retomar a normal dinâmica económica, e isso, a somar às imperiosas questões de saúde pública, conduz a que prefira medidas severas, porventura aparentemente excessivas, ao risco da indolência, da contemporização e da reatividade.

Causa-me perplexidade a situação dos aeroportos e o inexistente controlo de fronteiras terrestres, no primeiro caso, porque persiste em receber voos de países de risco e, no segundo, por força da relação com Espanha, facto que pode fazer nascer novas cadeias de transmissão e coloca em causa a proteção dos trabalhadores do aeroporto. É vital ponderar esta circunstância e não adotar medidas apenas quando as mesmas já se apresentam como inevitáveis. O rigor nas fronteiras é indispensável, até porque muitos, em desespero, podem procurar refúgio no nosso país e, inadvertidamente, em autocarros ou aviões, serem hospedeiros do vírus, empurrando-nos para um impacto mais violento e maior risco. Mais vale prevenir do que remediar. Fechar ou circunscrever agora é necessário.

Deputado

 

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