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Colocar filhos dos profissionais da saúde na mesma escola é uma bomba-relógio, alerta dirigente da Ordem dos Médicos

Colocar filhos dos profissionais da saúde na mesma escola é uma bomba-relógio, alerta dirigente da Ordem dos Médicos

Marta F. Reis 14/03/2020 19:11

Governo anunciou hoje que vai estar uma escola aberta por agrupamento para que profissionais de saúde e agentes de segurança tenham onde deixar os filhos. Presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos escreveu à ministra da Saúde a apelar ao bom senso. Carlos Cortes diz que medida põe crianças em risco e pode ser uma calamidade para a resposta à epidemia.

O presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos escreveu esta tarde uma carta à ministra da Saúde a alertar para o perigo de colocar filhos de profissionais de saúde na mesma escola, a solução apresentada pelo Governo para que as famílias em que os dois cônjuges sejam médicos e enfermeiros, auxiliares e farmacêuticos, mas também bombeiros e agentes de segurança  possam continuar a trabalhar a partir desta segunda-feira, quando passam a estar encerradas as escolas em todo o país e é esperado um aumento exponencial dos casos de infeção por Covid-19. "As nossas crianças não", apela Carlos Cortes, que além de considerar a medida injusta no plano humano e um risco para as crianças, alerta para o perigo de a decisão vir a comprometer ainda mais a resposta à epidemia de Covid-19. "Já pensou na calamidade que pode criar se um destes pais, por contacto com um doente no hospital ou no centro de saúde, transmite a doença a um filho seu, esse aos seus colegas na escola e depois esses aos seus pais, aos professores…? Já pensou que poderia pôr de quarentena centenas de profissionais e de pessoas com esta ideia irracional? Que está a criar vítimas desnecessárias? Porquê esta segregação?", questiona Carlos Cortes, que divulgou publicamente o apelo dirigido a Marta Temido, onde pede à ministra da Saúde que não crie uma bomba-relógio. 

A solução já tinha sido criticada pelos sindicatos e para já não houve nenhuma alteração veiculada pelo Ministério da Saúde. Esta tarde a ministra da Saúde reconheceu que todos têm direitos, mas apelou à mobilização dos profissionais no momento expecional que o país atravessa, frisando que Portugal entrou numa fase de aumento exponencial de casos de Covid-19.

Carlos Cortes traça duras críicas à atuação do Governo nos últimos meses, acusando o ministério de ter sido negligente numa fase inicial da pandemia, e denuncia que já se está a viver uma situação de caos nos serviços. "Perante a coordenação desta crise que tem liderado, permitiu que os profissionais de saúde ficassem sem equipamentos de proteção, sem luvas, sem soluções alcoólicos e sem testes de diagnóstico. Nem vou enumerar o caos assistencial que estamos a passar, porque quero ter esperança que se venha a melhorar quando os procedimentos e circuitos forem aperfeiçoados", lê-se no texto publicado online. Carlos Cortes considera positivas as medidas tomadas nos últimos dias, mas apela ao ministério da Saúde que recue nesta decisão. O médico defende que os profissionais nestas circunstâncias sejam autorizados a revezar-se para que um dos pais possa ficar com os filhos, antecipando um cenário em que isso será necessário por exaustão. Contactado pelo i, Carlos Cortes defendeu que esta deve ser a solução. Até ao momento não houve resposta da tutela.

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