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As mexidas na agenda desportiva portuguesa pela mão do Covid-19

As mexidas na agenda desportiva portuguesa pela mão do Covid-19

Ana Antunes Laura Ramires 11/03/2020 10:04

A Liga de Clubes anunciou que a próxima jornada da I e II Ligas de futebol será disputada à porta fechada. Mas as alterações no calendário vão muito além do desporto-rei.

Num momento em que estão confirmadas mais de quatro dezenas de pessoas infetadas pelo Covid-19 em Portugal, o calendário desportivo português começa a sofrer as primeiras mudanças.

Depois de termos acompanhado as alterações decretadas lá fora neste contexto, por cá são agora conhecidas as primeiras medidas que visam conter o surto. Após a conferência de imprensa realizada pela Direção-Geral da Saúde (DGS) na noite de segunda-feira, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciou, ontem, que todos os jogos das competições de futebol profissional decorrerão à porta fechada. Como tal, a próxima jornada da i e ii Ligas portuguesa de futebol, a disputar este fim de semana, vai ser realizada sem público. A decisão foi tomada no decorrer de uma reunião de um “grupo de emergência criado pelo presidente da FPF” e tem como objetivo “monitorizar o impacto do Covid-19” nas competições, nomeadamente nos jogos que vão realizar-se entre 13 e 15 de março.

Através de um comunicado, a FPF confirma ainda a suspensão de todas as provas nacionais dos escalões de formação de futebol e futsal entre 14 e 28 de março; determina que todos os jogos das competições nacionais de futsal decorram à porta fechada; e sublinha também que os jogos das provas nacionais seniores não profissionais de futebol não poderão ter mais de 5 mil pessoas nas bancadas, no cumprimento das recomendações da DGS. De resto, a FPF abre ainda a porta a um alargamento das restrições.

 

Ligas europeias em sintonia

De notar que também as Ligas francesa e espanhola seguiram a mesma linha, com o anúncio de jogos sem público. Na Ligue 1, a medida, também implementada no segundo escalão de futebol do país, vai estar em vigor até, pelo menos, ao próximo dia 15 de abril. Já em solo espanhol, para já, a decisão engloba as próximas duas jornadas dos campeonatos profissionais.

Itália continua, ainda assim, a apresentar-se como o caso mais dramático: o país europeu mais afetado pelo novo coronavírus estendeu na segunda-feira a quarentena a todo o seu território. Antes de o Governo ter anunciado esta medida drástica, já tinha sido confirmada a suspensão de todos os eventos desportivos no país até ao dia 3 de abril. Ainda antes, a Liga italiana já tinha tido constrangimentos devido ao surto, primeiro com o adiamento de vários jogos e, mais tarde, ao determinar que os encontros passavam a ser realizados à porta fechada – como aconteceu no último fim de semana, com destaque para o duelo decisivo entre Juventus e Inter, em Turim, que permitiu à equipa de Cristiano Ronaldo regressar à liderança.

 

Além do desporto-rei

Em Portugal, para além do futebol, são várias as modalidades que estão a ser afetadas pelo surto que teve origem em Wuhan, na China, em dezembro do último ano. No início deste mês já tinham sido canceladas a Taça da Europa de judo de juniores (agendada para os dias 14 e 15 de março), com palco em Coimbra, e o Europeu de atletismo em pista coberta para veteranos, que foi adiado para 2021 e que estava inicialmente previsto decorrer em Braga, entre 15 e 21 de março. Entretanto, já esta segunda-feira, a Federação Portuguesa de Patinagem decidiu adiar o Campeonato Nacional de Show e Precisão de Patinagem Artística, marcado para 14 e 15 deste mês, em Fafe. Durante o dia de ontem chegou a confirmação de mais dois adiamentos, desta vez de duas das principais meias maratonas do país: Lisboa e Braga. A 30.a edição da Meia Maratona de Lisboa, que teve mais de 30 mil inscrições e prevista para 22 de março, vai ser adiada para 6 de setembro. A organização já esclareceu que a mítica corrida que atravessa a Ponte 25 de Abril irá realizar-se com os mesmos 16 500 inscritos na meia maratona e os 14 mil na minimaratona. A mesma sentença teve a corrida de Braga, que tinha a sua 5.a edição agendada também para o próximo dia 22 e foi transferida para 6 de setembro. Em ambos os casos, a decisão surge na sequência das recomendações da DGS em consequência da propagação do Covid-19.

Também as federações portuguesas de voleibol e de basquetebol fizeram saber, esta terça-feira, que os jogos vão ser disputados à porta fechada a partir da próxima jornada.

O Plano Nacional de Preparação e Resposta para a doença por novo coronavírus (Covid-19) foi divulgado esta segunda-feira. Nesta linha, o Governo, pela voz da ministra da Saúde, Marta Temido, recomendou que os eventos com mais de cinco mil pessoas em espaço aberto sejam cancelados ou adiados. Foi ainda aconselhada a suspensão de eventos à porta fechada que juntem mais de mil pessoas.

Numa altura em que se reúnem esforços para combater o contágio pelo novo coronavírus, que já afeta mais de 115 mil pessoas em todo o mundo (com mais de quatro mil mortes registadas), prevê-se que a agenda desportiva portuguesa continue a sofrer várias mudanças.

Um dos principais eventos agendados para solo luso é o Estoril Open, previsto para os dias 30 de abril a 6 de maio, no Clube de Ténis do Estoril.

 

Da Fórmula 1 ao ténis, várias provas afetadas

Na Champions ou na Liga Europa, já são poucos os jogos que ainda não receberam a confirmação de que serão disputados à porta fechada. Ainda assim, o caso mais alarmante coloca em risco o duelo português referente à primeira mão dos oitavos-de-final da Liga Europa, entre Olympiacos (Pedro Martins) e Wolverhampton (Nuno Espírito Santo). O presidente do clube grego, em que também atuam os futebolistas portugueses José Sá, Rúben Semedo e Cafú, anunciou ontem que contraiu o Covid-19 – o que levou a que treinador e restante plantel tivessem de ir ao hospital realizar os exames médicos de despiste.

Fora as provas europeias de futebol, são cada vez mais as provas de modalidades que estão a ser canceladas, adiadas ou afetadas pela epidemia.

Na Fórmula 1, depois de ter sido cancelado o Grande Prémio da China, ficou neste fim de semana a saber-se que o GP do Barém será corrido sem público.

Já no Moto GP (em que atua o piloto português Miguel Oliveira), depois do adiamento do GP do Catar, etapa de abertura, e do GP da Tailândia, ontem foi adiado o GP das Américas.

Por sua vez, no ténis foi cancelado o torneio de Indian Wells, a competição mais importante da modalidade a seguir aos quatro Grand Slams. A prova, que teria palco na Califórnia, EUA, foi cancelada esta segunda-feira, dia que supostamente marcava o arranque da competição. Para já, o Masters 1000 de Miami (23 de março a 5 de abril) e o ATP de Monte Carlo (13 de abril a 21 de abril) não estão em risco. No que respeita a maratonas, são já dezenas de provas canceladas por conta do Covid-19: as de Roma, Bolonha ou Paris são alguns dos principais exemplos.

De resto, apenas em maio deverá chegar a resposta oficial sobre um eventual adiamento ou cancelamento do Europeu de futebol, previsto para os dias 12 de junho a 12 de julho.

Quanto aos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, Thomas Bach, presidente do Comité Olímpico Internacional, assumiu há dias que a hipótese de cancelar o evento, que irá decorrer de 24 de julho a 9 de agosto, não está, para já, em cima da mesa.

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