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Pormenores sobre a sentença de Rosa Grilo. Um filme que terminou com 25 anos de prisão

Pormenores sobre a sentença de Rosa Grilo. Um filme que terminou com 25 anos de prisão

Facebook Rita Pereira Carvalho 04/03/2020 17:57

O Tribunal de Loures concluiu que Rosa Grilo foi a autora material do crime de homicídio de Luís Grilo, o triatleta que foi encontrado morto com um saco na cabeça em agosto de 2018. A viúva foi condenada a 25 anos de prisão e António Joaquim, o seu amante, foi ilibado do crime de homicídio.

À terceira foi de vez. Ontem, Rosa Grilo ficou a conhecer a sua sentença, depois de a leitura do acórdão ter sido adiada em janeiro e em fevereiro: 25 anos de prisão, a pena mais elevada na justiça portuguesa, e o pagamento de uma indemnização de 42 mil euros ao filho de 14 anos por danos não patrimoniais. O acórdão lido no Tribunal de Loures deu como provado que Rosa Grilo, que entrou na sala de audiências com um sorriso, matou o marido Luís Grilo em Julho de 2018. Para o coletivo de juízes, a viúva elaborou um plano e atuou de forma “deliberada, livre e consciente”.

Para António Joaquim, o homem com quem a viúva mantinha uma relação extraconjugal, foi decidida uma condenação de dois anos de prisão com pena suspensa por posse de arma proibida. Estava acusado de coautoria do homicídio, mas acabou por ser absolvido desse crime. O tribunal entendeu que o oficial de justiça poderá retomar as suas funções. No entanto, o Ministério Público fez saber ontem que vai interpor um recurso sobre a decisão de ilibar o amante de Rosa Grilo do crime de homicídio.

O julgamento de Rosa Grilo e António Joaquim teve 14 sessões e o Ministério Público tinha pedido uma pena de prisão de 20 anos de seis meses para ambos. A leitura do acórdão foi adiada depois de o tribunal ter decidido que deveriam ser feitas alterações à acusação – que passaram Rosa Grilo de autora moral para autora material do crime –, mas a sentença tinha de ser proferida até ao final deste mês – caso contrário, Rosa Grilo seria libertada por exceder o tempo-limite para prisão preventiva.

Durante a leitura da sentença, segundo avançou a TVI, a juíza referiu que Rosa Grilo mostrou uma frieza de ânimo “que nunca tinha visto” e que “parecia que a arguida estava a falar de um filme e não da sua própria vida”. No total, o tribunal de júri – constituído por três juízes e quatro cidadãos escolhidos para jurados – condenou a viúva de Luís Grilo a 24 anos de prisão pelo homicídio qualificado na forma consumada, a um ano e 10 meses de prisão por profanação de cadáver e a 18 meses de prisão por detenção de arma proibida.

À saída do Tribunal de Loures, Tânia Reis, advogada de Rosa Grilo, avançou que vai interpor um recurso e que a sua cliente “sabia que podia ser este o desfecho”.

Capítulos anteriores A história de Luís Grilo terminou no dia 15 de julho de 2018 e a de Rosa Grilo e António Joaquim iniciou, nesse mesmo dia, um novo capítulo. A partir daí, a viúva apresentou várias versões dos factos, o que bastou para irritar a juíza durante as sessões de julgamento. O engenheiro informático e triatleta desapareceu depois de ter saído de casa para um treino. Só foi encontrado no final de agosto, sem roupa, com um saco na cabeça e com sinais de ter sido baleado. O corpo, que evidenciava sinais de decomposição, foi descoberto em Álcorrego, a 140 quilómetros de sua casa, em Cachoeiras, Vila Franca de Xira. Durante o mês em que o paradeiro de Luís Grilo era desconhecido, a sua mulher deu entrevistas a vários órgãos de comunicação social – afirmando a esperança de que o desportista fosse encontrado e negando sempre o seu envolvimento no caso. Enquanto isso, também participou em festas, fez viagens, foi de férias e a festivais de música – factos mencionados ontem pelo coletivo de juízes.

Depois de o corpo ter sido encontrado, a investigação ganhou um novo rumo. E Rosa Grilo também. A Polícia Judiciária encontrou uma bala no quarto do casal, o que levantou suspeitas de que teria sido Rosa Grilo e António Joaquim a matar o triatleta. Até por causa da indemnização do seguro de vida no valor de 500 mil euros que Luís Grilo tinha feito e, segundo as autoridades, por motivos sentimentais, já que Rosa e António Joaquim mantinham uma relação cada vez mais próxima. Os dois foram presos em setembro de 2018, no Estabelecimento Prisional de Tires, mas António Joaquim saiu no início de Dezembro do ano passado.

Desde o início que Rosa Grilo nega qualquer envolvimento na morte do marido. A viúva chegou a enviar cartas aos jornalistas dando conta de que era vítima de violência doméstica por parte de Luís Grilo. Mais tarde, eis que, em tribunal, avança com uma versão que foi também alterada ao longo do tempo: afinal, Luís Grilo tinha sido assassinado por angolanos. Segundo Rosa Grilo, o marido acabou com a cabeça dentro de um saco de plástico porque estaria envolvido num negócio de diamantes. E, se a autópsia revelava que o triatleta morreu com um tiro, Rosa Grilo insistiu e garantiu que tinham sido disparadas duas balas. A bala foi encontrada pela polícia; e um antigo inspetor da Polícia Judiciária contratado pela defesa afirmou já este ano – quase dois anos depois do homicídio – ter encontrado a segunda cápsula na banheira da casa de Rosa Grilo. Segundo avançaram vários órgãos de comunicação social, o antigo inspetor foi condenado no passado a cinco anos de prisão pelos crimes de corrupção passiva e violação de segredo de funcionário. A bala nem sequer chegou a ser considerada como prova, já que as perícias da Polícia Judiciária concluíram que o projétil não foi disparado na altura da morte de Luís Grilo. Face a isso, o coletivo de juízes não teve dúvidas em condenar a viúva do triatleta.

“A versão da arguida não merece credibilidade”

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