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OMS explica porque é que o novo coronavírus é diferente da gripe e faz apelo por médicos e enfermeiros

OMS explica porque é que o novo coronavírus é diferente da gripe e faz apelo por médicos e enfermeiros

Marta F. Reis 03/03/2020 18:30

No briefing diário desta terça-feira sobre a evolução da epidemia de COVID-19, o diretor-geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus explicou de forma detalhada as diferenças entre o novo coronavírus e o vírus da gripe, reforçando a importância da sua contenção. E deixou um apelo: é preciso proteger os profissionais de saúde, na linha da frente do combate à doença, e tem havido falhas nos equipamentos de proteção.

A comparação tem sido comum desde o início da epidemia do novo coronavírus identificado na China. No briefing desta terça-feira, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde fez uma apresentação fora do habitual e traçou as diferenças e semelhanças entre o novo coronavírus e o vírus da gripe sazonal, sublinhando a importância de serem adotadas medidas de contenção por todos os países. Tedros Adhanom Ghebreyesus deixou também o apelo para que os profissionais de saúde, na linha da frente da resposta, tenham a devida proteção para poder trabalhar.

À medida que há mais dados, Tedros Adhanom Ghebreyesus começou por dizer que pode agora concluir-se que o COVID-19 não é igual aos outros coronavírus SARS e MERS e é também diferente do vírus da gripe. "É um vírus com características únicas".

"Tanto o COVID-19 como o vírus influenza causam doença respiratória e transmitem-se da mesma maneira, através de pequenas gotículas de fluidos do nariz ou da boca de alguém doente. Mas há diferenças importantes", afirmou.

"Em primeiro lugar, o COVID-19 não se transmite de uma maneira tão eficiente quanto o vírus influenza. Com o influenza, as pessoas que estão infetadas mas não estão ainda doentes são fontes principais de transmissão, o que não parece ser o caso do COVID-19. A evidência da China sugere que apenas 1% dos casos reportados não têm sintomas e que a maioria desenvolve sintomas no espaço de dois dias", detalhou.

A segunda principal diferença, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, é que o novo vírus causa mais casos de doença grave do que a gripe sazonal. "Enquanto a maioria das pessoas a nível global desenvolveram imunidade para as estirpes de gripe sazonal, o COVID-19 é um novo vírus para o qual ninguém tem imunidade. Isto significa que há mais pessoas susceptíveis à infeção e algumas vão desenvolver doença severa. A nível global, cerca de 3,4% dos doentes com COVID-19 morreram. Em comparação, a gripe sazonal habitualmente mata menos de 1% das pessoas infectadas".

Em terceiro lugar, salientou o diretor-geral da OMS, há vacinas e medicamentos para a gripe sazonal, o que não é ainda o caso para o COVID-19. Mas os esforços são grandes: há 20 vacinas em desenvolvimento.

Em quarto lugar, já não se fala em conter a gripe sazonal: não é possível e a circulação do vírus é endémica. Mas parece ser possível para o COVID-19, que a transmitir-se de uma forma global teria um impacto maior. "Não fazemos rastreio de contactos para a gripe sazonal - mas os países devem fazê-lo para o COVID-19, porque isso vai prevenir infeções e salvar vidas. A contenção é possível", disse o diretor-geral da OMS.

"Não podemos travar o COVID-19 sem proteger os nossos profissionais de saúde"​

Em suma, "o COVID-19 espalha-se de forma menos eficiente que a gripe, a transmissão não parece ser conduzida por pessoas que ainda não estão doentes, causa mais doença severa do que a gripe, não temos ainda vacinas ou medicamentos e pode ser contido - e é por isso que devemos fazer tudo o que pudermos para contê-lo", apelou o diretor-geral da OMS, deixando uma mensagem de otimismo: as diferenças significam que não se pode tratar o coronavírus da mesma forma que se trata a gripe, mas as semelhanças são suficientes para que os países não tenham de começar do zero.

"Durante décadas, muitos países investiram na construção dos seus sistemas para detetar e responder à gripe. Uma vez que o COVID-19 é também um patogéneo respiratório, esses sistemas podem, devem e estão a ser adaptados para o COVID-19". A preocupação, salientou Tedros Adhanom Ghebreyesus, prende-se neste momento com alguma dificuldade de acesso a nível global de equipamento de proteção pessoal, devido à elavada procura mas também situações de açambarcamento e má utilização, afirmou. "As falhas estão a deixar médicos, enfermeiros e outros profissionais na linha da frente para cuidar de doentes com COVID-19 perigosamente mal equipados, devido ao limitado acesso a luvas, máscaras médicas, respiradores, batas, escudos faciais", exemplificou, referindo mesmo que os preços das máscaras aumentaram seis vezes desde o início da epidemia "Não podemos travar o COVID-19 sem proteger os nossos profissionais de saúde". 

A Organização Mundial de Saúde diz já ter enviado meio milhão de sets de equipamento de proteção pessoal para 27 países, mas as reservas estão a diminuir rapidamente. Por mês, revelou Tedros Adhanom Ghebreyesus, as estimativas apontam para que sejam necessários 89 milhões de máscaras, 76 milhões de luvas e 1,6 milhões de óculos protetores, o que vai implicar um aumento dos fornecimentos a nível mundial em 40%. "Continuamos a apelar aos fabricantes para aumentarem de forma urgente a produção", disse o responsável, revelando também ter pedido aos governos para desenvolverem incentivos nesse sentido. "Mais uma vez, esta é uma questão de solidariedade. Isto não pode ser resolvido apenas pela OMS ou pela indústria. Exige que todos trabalhemos juntos para garantir que todos os países podem proteger as pessoas que nos protegem a todos nós".

 

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