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Polanski é o melhor realizador dos prémios César apesar de controvérsia
Roman Polanski e a sua esposa Emmanuelle Seigner nos Césares em 2011

Polanski é o melhor realizador dos prémios César apesar de controvérsia

Roman Polanski e a sua esposa Emmanuelle Seigner nos Césares em 2011 DR Jornal i 01/03/2020 18:06

Os Miseráveis, de Ladj Ly, foi considerado, esta sexta-feira, o melhor filme da 45.ª edição dos prémios de cinema Césares, em Paris, que premiaram Roman Polanski como o melhor realizador.

Apesar da controvérsia que se gerou em torno da nomeação do realizador polaco Roman Polanski para melhor realizador, este acabou por arrecadar o prémio de melhor realizador pelo filme J'Accuse - O Oficial e o Espião, que arrecadou o prémio de melhor argumento adaptado e o melhor guarda-roupa.

Os Miseráveis, realizado por Ladj Ly, cineasta francês de origens malianas, foi considerado o melhor filme do festival e venceu ainda os prémios de melhor ator revelação (Alexis Manenti), melhor montagem e o César do Público.
Ambos os filmes estavam nomeados em 12 categorias, mas a longa-metragem de Polanski estava no centro de uma polémica, depois de uma nova acusação de violação. Esta situação levou a que vários grupos feministas, a associação Osez le féminisme e o coletivo feminista #NousToutes convocaram manifestações para sexta-feira em frente à sala Pleyel, onde decorreu a cerimónia, se manifestassem contra o reconhecimento do realizador franco-polaco.

 

 

O cineasta, de 86 anos, decidiu não ir à entrega dos galardões por receio de um "linchamento público", de acordo com um comunicado citado pela agência France-Presse. O realizador disse que preferia "não afrontar um autoproclamado tribunal da opinião pública, disposto a espezinhar os princípios do Estado de direito para que o irracional triunfe de novo".

J'Accuse - O Oficial e o Espião, premiado em 2019 no festival de Veneza, retrata o caso Dreyfus - um escândalo político que dividiu a França entre 1894-1906 - e a história é contada do ponto de vista do tenente-coronel Georges Picquart. O próprio Polanski admite que encontra no caso referências à sua própria história e aos problemas com a justiça por causa das acusações de violação.

Para além destes prémios, Roschdy Zem foi considerado melhor ator pelo seu papel no filme Roubaix, Une Lumière, de Arnaud Desplechin, e Anaïs Demoustier venceu o prémio de melhor atriz por Alice et le Maire, de Nicolas Pariser. Fanny Ardant e Swann Arlaud foram considerados, respetivamente, melhor ator e atriz secundária, pela participação nos filmes Belle Époque, de Nicolas Bedos (que venceu ainda o melhor argumento original e melhor direção artística) e Grâce à Dieu, de François Ozon.

O filme sul-coreano Parasitas, de Bong Joon-Ho, foi o melhor filme estrangeiro, após ter sido considerado o melhor filme dos Óscares.

A cerimónia dos Césares aconteceu num momento conturbado para a própria Academia Francesa de Cinema, porque a direção se demitiu em bloco no passado dia 14, por causa de críticas à gestão da instituição e pela controvérsia em relação a Roman Polanski.

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