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Redação dos Cahiers du Cinema demite-se

Redação dos Cahiers du Cinema demite-se

Jornal i 29/02/2020 17:58

Equipa sai em bloco depois de a histórica revista ter sido comprada por grupo de empresários que inclui oito produtores.

A redação dos Cahiers du Cinéma, a mais antiga revista de cinema em língua francesa, e até hoje a mais conceituada, demitiu-se em bloco em protesto contra o conflito de interesses criado pela aquisição da histórica publicação por um grupo de empresários que inclui oito produtores de cinema.

Segundo o jornal Le Monde, os 15 trabalhadores, incluindo o diretor, Stéphane Delorme, demitiram-se um mês depois de a revista fundada há 70 anos como parte do movimento da nouvelle vague francesa ter sido comprada por um grupo de empresários dos setores tecnológico e financeiro e vários produtores de cinema, entre os quais está, por exemplo, Pascal Caucheteux, produtor de filmes como Um Profeta, de Jacques Audiard, ou You Were Never Really Here, de Lynne Ramsay, protagonizado por Joaquin Phoenix.

No comunicado em que justificam a decisão, alertam para um claro conflito de interesses e, em consequência, para a perda da independência que caracterizou o projeto ao longo da sua história desde a fundação, em 1951, por um grupo que incluía nomes como Jean-Luc Godard, Claude Chabrol e François Truffaut.

«Os novos acionistas incluem oito produtores que criam um conflito de interesses numa publicação de crítica», nota a equipa editorial no comunicado conjunto em que anteontem foi anunciada a demissão em bloco. No seu entender, mesmo que não haja interferências dos acionistas na área editorial, haverá sempre espaço para a suspeita: «Quaisquer que sejam os artigos publicados, haverá sempre uma suspeição de interferência».

Mas não é para uma ausência de interferência que apontam fontes citadas pelo mesmo jornal francês, segundo as quais a decisão da equipa editorial veio também em reação a vontade dos novos proprietários de reorientarem a linha editorial da revista, para que se tornasse uma leitura mais «leve» e «chique». Ao fecho da edição, não havia ainda uma reação dos novos acionistas à demissão da equipa.

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