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Até deputados do PS votaram contra Vitalino Canas para o TC

Até deputados do PS votaram contra Vitalino Canas para o TC

Helena Garcia Jornal i 29/02/2020 17:39

O constitucionalista esteve no núcleo mais restrito de convidados do célebre jantar de Sócrates após sair da cadeia de Évora.

O que se esperava aconteceu. Os nomes propostos pelo PS para o Tribunal Constitucional foram ontem chumbados no Parlamento. A única surpresa é que os próprios deputados do PS votaram contra os dois nomes indicados pelo partido – Vitalino Canas e António Clemente Lima.

Eram precisos 146 votos, dois terços dos deputados presentes, mas Canas e Clemente Lima, que foram votados em conjunto, tiveram apenas 93 votos a favor. Ou seja, apesar do voto ser secreto, é possível concluir que nem todos os deputados socialistas votaram favoravelmente. Ao SOL, um deputado socialista confessou que Canas «não foi uma boa escolha».

Vitalino Canas foi o nome que gerou mais polémica. A proximidade com José Sócrates e a ligação ao mundo dos negócios foram alguns dos problemas apontados. Canas foi porta-voz do PS durante os tempos em que José Sócrates liderava o partido. Nos últimos dias circulou nas redes sociais a fotografia do ex-deputado num jantar de amigos em casa do ex-primeiro-ministro.

Mesmo entre os socialistas houve quem se manifestasse contra. Manuel Alegre defendeu que o ex-porta-voz do PS não tinha «um perfil adequado» para o lugar. «Não é nada de pessoal. Sei que teve uma carreira académica. Mas de há muito tempo para cá mais ligado à atividade política e empresarial», explicou à revista Sábado. Henrique Neto, em declarações ao jornal i,  defendeu que Vitalino Canas  tem «um passado e uma história que não abona a favor da sua independência».

Os nomes foram escolhidos pelo PS, mas era fundamental o apoio do PSD para que fossem aprovados. A meio da semana, tornou-se claro que dificilmente seriam aprovados  com o partido liderado por Rio Rio a esclarecer que «a maioria dos deputados do PSD não estão confortáveis com o nome da Vitalino Canas». Ana Catarina Mendes sugeriu, porém, que estes nomes só foram apresentados porque o PS tinha garantias de que seriam aprovados: «Não haveria da parte do PS a sujeição destas personalidades a uma humilhação, e até ao seu bom nome estar em causa, se não tivesse havido de algumas bancadas a indicação de que não se inviabilizariam os nomes propostos».

Ana Catarina Mendes lamentou a posição assumida pelos deputados, porque estavam em causa «personalidades que têm reconhecido mérito» e «não merecem ser humilhadas». Para a líder da bancada do PS, é «absolutamente espantoso que a Assembleia da República e os seus deputados se permitam bloquear o funcionamento de outras instituições».

 

Correia da Campos chumbado

O nome de António Correia de Campos voltou a ser chumbado para o Conselho Económico e Social. Com 110 votos a favor, 92 brancos e 27 nulos, o ex-ministro da Saúde ficou ainda mais longe de um segundo mandato. Em dezembro, Correia de Campos já tinha ficado aquém do resultado desejável, faltando-lhe 15 votos a favor para atingir os 140 necessários.

Na primeira hora de votação, que decorreu na sala D. Maria, as eleições chegaram a ser suspensas durante cerca de 15 minutos devido a uma incorreção nos boletins de voto. Eduardo Ferro Rodrigues esclareceu a  situação, levantada pelos deputados do PS, consultando a lei e a situação foi rapidamente corrigida. Os boletins de voto tiveram que ser substituídos e os 219 foram convidados a votar novamente.

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