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A economia mundial já não ignora os efeitos imprevisíveis do surto

A economia mundial já não ignora os efeitos imprevisíveis do surto

AFP João Amaral Santos 26/02/2020 14:04

Coronavírus aumenta o nervosismo nos setores do vestuário e calçado em Portugal. Encerramento de fábricas leva a antever escassez global de medicamentos.

O abalo sofrido pelos mercados internacionais no início da semana, na sequência do novo impulso do coronavírus, aumentou o pessimismo quanto às reais consequências do surto para a economia mundial. Embora se evite um cenário de pânico ou se restrinjam os impactos às realidades chinesa e asiática, começam a surgir os primeiros sinais de quebra a nível global.

Os setores do turismo e da aviação não deverão evitar uma forte contração este ano – a Associação Internacional de Transporte Aéreo prevê uma queda líquida de 8,2% na procura do setor dos transportes na região Ásia-Pacífico; e o cancelamento de reservas de turistas chineses no exterior coloca em risco receitas milionárias: 255 mil milhões de euros (segundo a Organização Mundial do Turismo). Embora as previsões estejam dependentes da evolução do surto, é expetável que o turismo bata recordes negativos em 2020.

O norte de Itália serviu como porta de entrada para a crise na Europa. O terceiro país com mais casos de infetados pelo coronavírus é, atualmente, o epicentro das ondas de choque que vêm alastrando pelo Ocidente. A bolsa de Milão começou a semana a perder 5,43%, arrastando as congéneres europeias e norte-americanas. Portugal não foi exceção e o PSI20 fechou a sessão de segunda-feira a perder 3,53%. Ontem, pese embora uma desaceleração das perdas, as praças europeias voltaram a ser castigadas: -1,44% em Milão e -2,28% em Lisboa.

Já os setores do turismo e da aviação em Itália parecem, neste momento, à deriva, enquanto aguardam pelo futuro. A Alitalia, companhia em processo de falência desde 2017, anunciou o cancelamento de 358 voos devido a um pré-aviso de greve que, entretanto, havia sido suspenso. Os responsáveis alegam que o levantamento da paralisação “menos de 24 horas antes do início não permite [...] recuperar a programação dos itinerários originalmente planeados” – mais um episódio com custos imprevisíveis, já depois de as autoridades de Veneza terem decido cancelar as festividades de Carnaval e de o Governo italiano ter interditado as viagens para dez cidades da Lombardia.

Vestuário e calçado “Mais de 85% de toda a roupa consumida na Europa provém da Ásia”. Quem o garante é César Araújo, presidente da Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção, à Lusa. Os setores dos têxteis e do vestuário em Portugal começam a dar algumas mostras de nervosismo, com a falta de matérias-primas e componentes.

Quanto ao setor do calçado, menos dependente da Ásia para produzir, enfrenta imprevisibilidade no que toca às vendas para o exterior. A indústria de calçado portuguesa exporta perto de 40 milhões de euros para Itália e cerca de 30 milhões para a China e Hong Kong. Estimam-se perdas avultadas.

Já a nível global, os principais fabricantes do segmento do luxo preveem um impacto negativo entre 30 mil milhões e 40 mil milhões de euros nas suas receitas, na sequência do coronavírus. A China é um dos principais mercados de luxo a nível mundial e as vendas no país pararam repentinamente.

Escassez de medicamentos Na passada semana, o ministro da Saúde alemão já tinha alertado, em Bruxelas, para a possibilidade de se registar uma escassez de medicamentos a curto prazo. A China e a Índia produzem uma grande quantidade de medicamentos, pelo que o encerramento de fábricas em território chinês faz antever uma carência a nível mundial. Se a situação não se alterar, é previsível uma rutura das reservas não só de medicamentos, mas também de outros artigos de saúde, como as máscaras para evitar o contágio.

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