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Fantasporto. O terror dos 40

Fantasporto. O terror dos 40

Cláudia Sobral 25/02/2020 15:02

Arranca hoje no Teatro Rivoli, no Porto, a edição deste ano do Fantasporto. De novo a percorrer o que se tem produzido pelo mundo nos géneros de terror e fantástico, mas também com um regresso em série a clássicos como Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Coppola, ou Touro Enraivecido, de Martin Scorsese. À 40.ª edição, espaço haverá ainda para 40 Anos de Fantasporto, um documentário que percorre a história de um festival que faz já parte da cidade.

Adverse

É com Adverse, o novo filme do jovem realizador e argumentista Brian A. Metcalf (Living Among Us, 2018) que o Fantasporto faz esta noite, no Teatro Rivoli, a abertura de uma edição redonda: a 40.ª. A história é a de um motorista que, para salvar a irmã, se vê obrigado a infiltrar-se num grupo de crime organizado. Com Mickey Rourke e Lou Diamond Phillips, Adverse chega ao Fantasporto em antestreia mundial. 

40 Anos de Fantasporto

Para a 40.ª edição de um festival que há décadas vem marcando o calendário cultural de inverno portuense, Isabel Pina entrevistou dezenas de personalidades ligadas à história do festival. A começar pelos fundadores Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira, claro, e a partir daí estendendo-se a um conjunto de realizadores cujas carreiras se cruzam com a do festival. O resultado é um documentário de 110 minutos – 40 Anos de Fantasporto – a ser exibido durante o festival. 

Dead Dicks

Estreado no festival de Montreal, o mais recente filme da dupla Chris Bavota e Lee Paula Springer equilibra-se entre o fantástico e o drama. O título, sugestivo que baste, é apenas uma amostra do universo criado pelos realizadores canadianos numa história de dois irmãos – ele, Ritchie, com tendências suicidas; ela, Rebecca, que, à procura de o ajudar, o encontrará em casa rodeado de mortos iguais a ele. O resto é imaginar – ou espreitar – Dead Dicks.

Exile

O título já deixa antever um pouco aquilo a que se vai em Exile, o mais recente filme do grego Vasilis Mazomenos, que já foi no passado homenageado pelo festival. É a história de um homem recolhido de um barco à deriva e que, sem documentos, será levado para uma casa onde será vítima de todo o tipo de abusos e maus-tratos. Entre os universos onírico e real, uma metáfora (ou nem tanto) sobre a má sorte a que a Europa tem votado aqueles que no seu território procuram desesperadamente abrigo. 

Bring Me Home

Numa altura em que os ventos sopram favoráveis ao cinema sul-coreano, Kim Seung-woo levou aos festivais de Chicago e de Toronto a sua primeira longa-metragem. Bring Me Home (um desses filmes que vêm provar que o realismo consegue ser mais aterrador do que o fantástico), que conta a história de uma mãe em busca do seu filho desaparecido e que, nessa procura, se deparará numa vila piscatória com uma história de escravidão e de abuso, tem no Fantasporto a sua primeira exibição em território europeu. 

God Man Dog

De Taiwan, recuando ao ano de 2007 como parte da secção retrospetiva Taiwan Retro – The Wheel of Fortune, regressa God Man Dog, de Singing Chen. Na altura em que se estreou no Festival de Cinema de Berlim, a realizadora era vista como uma das promessas do cinema taiwanês. A partir de Taipei, e da história de um casal que começa a afastar-se depois do nascimento do primeiro filho, God Man Dog é um filme que se universaliza pela forma como Singing Chen retrata a apatia para a qual tão facilmente pode resvalar a vida quotidiana.

Willow

Do realizador macedónio Milčo Mančevski (autor de Antes da Chuva, distinguido na década de 1990 com o Leão de Ouro em Veneza e a quem o Fantasporto já atribuiu no passado o seu Prémio Carreira), Willow é um filme de mulheres, três mulheres macedónias que, não pretendendo mudar o mundo, se transformam em heroínas numa luta pelo direito aos seus corpos contra uma sociedade comandada pela tradição.

Cry of the Sky

Em 40 edições de história, o Fantasporto vem provando que um festival de terror (e de fantástico) poderá fazer-se mais político do que se julga. E se os exemplos já dados de filmes em que isso acontece nesta edição não bastassem, vem também Cry of the Sky ajudar a prová-lo. Num tempo que vai da primeira revolta curda, em 1961, à reconstrução da resistência, já na década de 70, Shahram Qadir conta a história de uma mulher que se vê obrigada a dar à luz numa cabana e da sua luta por uma vida digna.

Detention

Da Ásia chega invariavelmente ao Fantasporto uma importante parte da programação do festival. De Taiwan contam-se nesta edição vários títulos – da produção mais recente a viagens por outros tempos. E uma viagem a outro tempo faz também Detention, de John Hsu. A 1962 especificamente, ao tempo da perseguição política do regime comunista que na História ficou conhecida como Terror Branco. Uma verdadeira história de terror, a partir de uma escola que procura combater a repressão com a criação de um clube literário. 

Goodnight & Goodbye

Também integrado no programa Taiwan Retro – The Wheel of Fortune, Goodnight & Goodbye, de Yao-Tung Wu, descreve uma viagem em que o realizador parte à procura da origem da sua própria criação. Um documentário exibido em 2018 no Doclisboa em que, durante essa viagem, o próprio Yao-Tung Wu retoma com outro personagem, Tom, uma conversa inacabada de 20 anos antes.

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