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Coronavírus. Associação de turismo quer atrair para Portugal um milhão de chineses

Coronavírus. Associação de turismo quer atrair para Portugal um milhão de chineses

Dreamstime João Amaral Santos 25/02/2020 12:49

Os impactos do coronavírus, que já se fazem sentir na Ásia, vão chegar ao setor do turismo e da aviação na Europa: reservas de turistas chineses caíram a pique.

O cancelamento de reservas de turistas chineses para o exterior, na sequência do novo coronavírus, é, desde já, o principal desafio que se coloca ao setor do turismo e da aviação no mercado europeu e norte-americano. O cenário de crise parece, à partida, inevitável a nível mundial: em 2018, os turistas chineses representaram receitas na ordem dos 255 mil milhões de euros, segundo as contas da Organização Mundial do Turismo.

Em Portugal, a tentativa de mitigar o problema foi encontrada sob a forma de associação. Segundo apurou o i, a comunidade chinesa em Portugal anunciou a criação da Associação do Turismo Chinês, que vai incluir agências de viagens, hotéis, restaurantes e lojas e tem como meta atrair um milhão de turistas chineses, sem adiantar prazos. A nova associação foi apresentada no âmbito de uma iniciativa da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), que manifestou total apoio à iniciativa. Esta medida serve como resposta à velocidade com que o novo coronavírus se tem espalhado à escala global, da Ásia ao Ocidente – e em particular pelo norte de Itália – e tem vindo a aumentar o pessimismo, dando força às previsões negativas para setores estratégicos. 

Na Europa e nos Estados Unidos, ainda se procura, neste momento, circunscrever o problema ao mercado asiático. Num manifesto ontem divulgado, dezenas de associações e entidades europeias ligadas aos setores do turismo, comércio e transportes – como a plataforma de gestão de reservas de viagens Amadeus, a Associação Europeia de Turismo, a Federação Europeia de Ciclismo ou a União Internacional de Turismo Rodoviário – vieram “oferecer solidariedade e apoio à China e ao povo chinês” e reafirmar que, “neste momento difícil, os visitantes chineses são bem recebidos e respeitados” na Europa.

Ao i, o analista André Pires, da XTB, afirma que o cenário de crise é já irreversível: “Nos últimos anos, os países do sudeste da Ásia investiram fortemente em resorts e casinos para captar o aumento do número de turistas, especialmente de nacionalidade chinesa”. E acrescenta: “Muitos países da região dependem fortemente do turismo chinês, incluindo o Vietname, Tailândia, Camboja, Malásia e Singapura. Porém, o comportamento preventivo da população e as restrições das companhias de viagens têm como consequência uma onda de cancelamentos de reservas, com um impacto imediato nas companhias aéreas, hotéis e agências de turismo, não só de turistas da China continental, mas também de viajantes ocidentais, assustados com a disseminação do vírus na região”, explica.

Uma avaliação preliminar da Associação Internacional de Transporte Aéreo prevê um impacto económico potencial de 13% na procura do setor de transportes por toda a região Ásia-Pacífico. As previsões para 2020 previam um crescimento das companhias aéreas da região de 4,8% mas, com a quebra na procura, o impacto líquido poderá representar agora uma contração de 8,2% em comparação com o ano anterior. 

André Pires refere que as companhias aéreas estão, ainda assim, a procurar “mitigar o impacto” da crise, embora neste momento seja “expetável que os setores hoteleiros, os museus, o retalho e a restauração, entre outros setores ligados ao turismo, tenham de enfrentar sérias consequências económicas a curto prazo”. 

Na Europa, os efeitos económicos já começaram a fazer-se sentir, e não apenas com a quebra do número de turistas provenientes da China. Em Itália, as autoridades de Veneza interromperam as festividades de Carnaval e o Governo italiano interditou as viagens para dez cidades na região da Lombardia, após uma onda de novos casos na região.
André Pires considera que “é ainda cedo para contabilizar o impacto económico no setor do turismo, pois ainda não sabemos exatamente como o surto vai desenvolver-se, se terá um perfil semelhante ao surto de SARS ou não”. 

A curto prazo, o analista antevê a possibilidade de serem adotadas medidas compensatórias para fazer face aos prejuízos: “Os Governos poderão usar uma política fiscal e monetária adaptada, no sentido de tentar compensar os impactos económicos adversos, como preços de combustível mais baixos para as companhias aéreas, etc. Mas a situação pode ainda ter muitos reveses”. 

Cruzeiros limitam

O caso do Diamond Princess, atracado no Japão, onde se encontra de quarentena o único português infetado com o vírus, chamou a atenção para o universo dos cruzeiros. Segundo apurou o i, as principais companhias já cancelaram as viagens em territórios asiáticos, mas operam normalmente na Europa, mesmo em Veneza, de onde diariamente partem e chegam navios.

Contactada pelo i, a operadora MSC Cruzeiros admitiu, porém, que efetua um maior controlo junto dos seus passageiros na hora do embarque, negando o acesso a navio a qualquer um que tenha visitado ou viajado da China continental nos últimos 30 dias.

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