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Coronavírus à porta. Bombeiros dizem não ter novas recomendações

Coronavírus à porta. Bombeiros dizem não ter novas recomendações

Pedro Almeida 25/02/2020 12:43

Presidente da Liga dos Bombeiros garante não terem sido feitas mais ações de prevenção. Em Itália, pelo menos sete pessoas morreram e o desfile de Milão foi realizado à porta fechada.  

O coronavírus instalou-se na Europa e, depois de uma vítima mortal em solo francês, nos últimos dias já fez pelo menos sete mortos em Itália. São 12 as cidades do país em quarentena que foram isoladas por precaução, existindo em cinco delas população infetada – Lombardia, Véneto, Piemonte, Emília-Romanha e Lácio –, e até o Carnaval de Veneza teve de ser suspenso esta semana. Muitas empresas encontram-se encerradas, existe uma constante corrida aos supermercados e o desfile da designer de moda portuguesa Alexandra Moura, na Semana de Moda de Milão, teve de ser realizado ontem à porta fechada, com o evento a ser transmitido na internet. 

O número de infetados no país já ascendeu aos 220 e a direção da Organização Mundial da Saúde(OMS) fez o alerta de que o mundo tem de se preparar para uma “eventual pandemia”. “É muito preocupante o aumento repentino dos casos em Itália. Devemos concentrar-nos na contenção, enquanto fazemos todo o possível para nos prepararmos para uma possível pandemia”, explicou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em conferência de imprensa em Genebra, na Suíça. 

AComissão Europeia, por seu turno, vai mobilizar 230 milhões de euros para apoiar a luta contra o surto e apela à calma e à coordenação entre países, dizendo que estão a ser preparados planos de emergência. “Há dez dias pedimos aos Estados-membros que melhorassem as medidas de preparação, o que agora se revela justificado. A epidemia já afetou 29 países. Isto apenas mostra que temos de acelerar a resposta e temos de atuar”, disse Janez Lenarcic, um dos comissários europeus da Saúde e da Gestão de Crises.

medidas nos aeroportos Em Portugal estão a ser tomadas medidas de precaução, principalmente nas entradas e saídas dos aeroportos para prevenir a propagação do surto, segundo relatou ontem a Direção-Geral de Saúde. “Enquanto não tivermos outra indicação da União Europeia, a nossa linha é reforçar a informação às pessoas que chegam a Portugal, vindos de Itália ou de outra área afetada. O controlo vai ser feito nos aeroportos com cartazes e indicações aos passageiros. Estamos a tratar também do reforço da linha de apoio ao médico”, sublinhou Graça Freitas, diretora-geral de Saúde, em conferência de imprensa. 

“Estamos alinhados com a OMS e atentos ao que se passa em todo o mundo. Claro que o nível de preocupação aumentou porque um país na Europa apresenta focos da doença. Estamos claramente preocupados, sabemos que pode haver alastramento para outros países. No entanto, à data, o reforço de medidas de aconselhamento e pedagógicas parecem-me suficientes”, defendeu, reforçando que qualquer caso confirmado fora do território chinês ainda é mais preocupante e que a medição da febre a cidadãos que cheguem ao nosso país não é uma boa medida a ser tomada. “Permitiria detetar muitíssimo poucos casos. Qualquer foco fora da China é um motivo de preocupação. Teoricamente a possibilidade de contacto aumenta quando falamos de Itália, porque estamos perto. Os médicos têm de estar mais atentos, assim como os hospitais. Estão a ser acionadas medidas que permitam ter conhecimento rápido desses casos. Esta é a medida mais efetiva”, concluiu Graça Freitas, que ativou os hospitais de Santa Maria, São José (Lisboa), Coimbra e Santo António (Porto) para receber casos suspeitos de infeção.

Já os bombeiros queixam-se de não terem ainda recebido ações adicionais de prevenção, depois de o surto ter chegado a Itália. Ao i, o presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Jaime Marta Soares, explicou que não recebeu quaisquer “recomendações especiais”. “Continua tudo na mesma. Não temos sido contactados nem há recomendações especiais.

OINEMjá nos avançou que as coisas estão estabilizadas e que seremos alertados se existirem casos validados em Portugal. Neste momento, os bombeiros continuam com os mesmos cuidados, com a utilização de kits, etc.. Não há, para já, nenhuma evolução nem fomos comunicados de nada”, avançou, depois de já ter denunciado nas últimas semanas que faltam equipamentos às corporações para poderem lidar em segurança com o Covid-19.  

Português infetado

A hospitalização de Adriano Maranhão, português infetado com o novo coronavírus a bordo do navio Diamond Princess, atracado no porto de Yokohama, no Japão, foi ontem agendada para esta madrugada (horário de Lisboa), depois de se ter mostrado “febril” e mais “abatido”, para ter um acompanhamento mais exaustivo por parte dos médicos. Graça Freitas disse estar atenta à situação e explicou que tudo está a ser feito também com o apoio da mulher da vítima, Emmanuelle Maranhão, residente na Nazaré, que também tem estado em contacto com as entidades responsáveis no Japão.

“Vai para um hospital para ser acompanhado em meio hospitalar, cumprindo o protocolo do país. É um hospital de referência. Nada indica que a sua situação clínica seja grave. É o nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros que está a acompanhar esta situação no Japão com as autoridades japonesas”, garantiu, dando igualmente atenção ao novo caso suspeito que houve em Portugal, mais concretamente no Porto, cujas análises deram negativo. Tratou-se de um homem que regressou de Milão. Foi inicialmente encaminhado para o hospital de Santa Maria da Feira, mas acabou por ser transportado para o Hospital de São João, no Porto.

A epidemia, recorde-se, já chegou também a países como a Coreia do Sul, Singapura e Irão, onde já se registaram pelo menos 50 mortes.

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