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Manuel J. Guerreiro 21/02/2020
Manuel J. Guerreiro

opinião@ionline.pt

Portugal terminal – um país a morrer

Estando o país, pura e simplesmente, moribundo com doença fatal irreversível, sem cuidados de saúde continuados e paliativos e, portanto, em sofrimento extremo, resta-lhe pedir - mal a lei esteja aprovada e em vigor - a eutanásia!

Em Setembro passado escrevi, neste mesmo espaço de opinião, um artigo intitulado “Justiça in-supeita” que tinha como principal foco o estranho regresso ao trabalho do Juiz Desembargador Rui Rangel, estando na altura a decorrer contra si um processo disciplinar que veio mais tarde a confirmar o pior. Designadamente, a sua expulsão da magistratura e o afastamento de sua esposa por aposentadoria compulsiva, estando ambos à data suspensos preventivamente desde o dia 9 de Novembro de 2018 por decisão do Conselho Superior da Magistratura em virtude da constituição como arguidos no processo judicial conhecido por 'Operação Lex' - em fase de inquérito e investigação - pelas suspeitas da prática dos crimes de tráfico de influência, corrupção, recebimento indevido de vantagem, branqueamento de capitais e fraude fiscal.

Se enquanto cidadão com formação jurídica fiquei bastante indignado com tal situação, conforme escrevi nessa altura, ontem, com a notícia avançada pela TVI que revelou serem já pelo menos cinco os magistrados do Tribunal da Relação de Lisboa, incluindo os seus respectivos presidentes (anterior e actual) envolvidos nesta abjecta rede criminosa, foi a confirmação daquilo que já há muito me assola o espírito. O país está afundado e submerso na mais profunda crise identitária e de regime de que há memória enquanto Estado-nação que somos com quase 900 anos de história.

O que ficámos a saber ontem - e que escuso de explanar aqui, pois está ser abundantemente tratado em toda a comunicação social - é de uma gravidade extrema e que destruiu por completo qualquer resquício de esperança num futuro mais próximo…

Portugal é hoje um país sem qualquer credibilidade democrática nas suas instituições!

Hoje em Portugal não há esperança, apenas resignação. Não há seriedade, apenas desonestidade. Não há ética, apenas ganância individual. Não há moral, apenas mural… Não há política, apenas interesses. Não há justiça, apenas decisões. Não há investigação, apenas basculho. Não há sociedade, apenas dependentes. Não há democracia, apenas liberdade de - alguma e cada vez menor - expressão. Não há República, apenas uma formalidade constitucional. Não há país, apenas um espaço geográfico cada vez mais votado à irrelevância existencial. 

Hoje em Portugal não há absolutamente nada ao serviço do país e das pessoas a não ser uma sinistra e continuada acção criminosa de esbulho e pilhagem de tudo o que ainda resta. Desde obras de arte a dinheiro vivo, tudo tem sido subtraído na maior impunidade perante o alarve consentimento de todo um povo, também ele, corrupto por meras migalhas oferecidas pelas agências desta cleptocracia lusitana que são os partidos políticos deste regime insuportável.

Hoje as instituições ‘democráticas’ portuguesas são uma rede de bandidos que estão espalhados por toda a administração pública e pelos respectivos órgãos de soberania.

Portugal, em termos de organização politica, bateu no fundo, sendo tudo isto mais, muito mais, do que uma simples vergonha, coisa que de resto já ninguém tem, poucos sentem e apenas alguns sabem o que é.

O Estado de Direito Português está ferido de morte e com ele, moribunda está também, a nossa soberania. Não por força de uma qualquer ‘troika’ financeira, mas sim, por via de um sequestro levado a cabo por gangsters e mafiosos que tomaram conta efectiva do país, quer na política, quer na justiça, quer nos negócios, quer nos clubes de futebol (que de desportivos já nada têm hoje em dia), quer na sociedade em geral.

É urgente refundar a República ou restaurar a Monarquia (é-me indiferente) para que possamos salvar a democracia e evitar o desastre total que nos aguarda a qualquer instante.

Mas para isso era preciso que houvesse mesmo um sobressalto popular na sociedade portuguesa, coisa que, infelizmente não acredito que venha a ocorrer. A cobardia é também outra das enfermidades de que padecemos. Caso contrário já haveria revolta nas ruas…  

Nestes termos, estando o país, pura e simplesmente, moribundo com doença fatal irreversível, sem cuidados de saúde continuados e paliativos e, portanto, em sofrimento extremo, resta-lhe pedir - mal a lei esteja aprovada e em vigor - a eutanásia!

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