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Moussa Marega é o último jogador a dizer “não ao racismo”

Moussa Marega é o último jogador a dizer “não ao racismo”

Laura Ramires 18/02/2020 14:12

Há vários anos que a UEFA tem direcionado esforços para as campanhas que pretendem eliminar do futebol o racismo, a discriminação e a intolerância. Porém, parece que os casos se multiplicam a cada dia. Marega junta o nome a uma longa lista.

Daniel Alves

Daniel Alves protagonizou um dos casos mais conhecidos e que chamou a atenção para o tema, quando viu uma banana ser atirada para dentro do relvado no jogo contra o Villarreal, da Liga espanhola, em 2014. A resposta dada pelo então lateral direito do Barcelona tornou-se viral: o jogador comeu o fruto e ainda agradeceu o gesto para a bancada. “Incidente com a banana? Estou em Espanha há 11 anos e isto acontece desde o início. Há que rir destes retardados. Não sei quem a atirou, mas tenho de agradecer, pois deu-me energia para outros dois cruzamentos que acabaram em golos”, disse o jogador, que fez duas assistências para golo após o incidente. “Infelizmente é uma guerra perdida até que se tomem medidas mais drásticas”, acrescentou na altura.

Kevin Prince-Boateng

Em 2013, o ganês foi alvo de cânticos racistas num encontro particular entre Milan e Pro Patria. O jogador abandonou o jogo e recusou-se a voltar a entrar. Naquela altura, nas redes sociais, o ponta-de-lança escreveu: “É uma vergonha que estas coisas ainda aconteçam. O racismo tem de acabar, para sempre”. O clube, que atualmente milita na terceira divisão do futebol italiano, foi à época castigado com um jogo à porta fechada. Não era, todavia, a primeira vez que o emblema era castigado por situações semelhantes, tendo sido anteriormente punido com uma multa de cinco mil euros. A série de episódios racistas protagonizados nos estádios do país levou, no último ano, os clubes da Serie A a comprometerem-se a combater o “grave problema” no futebol italiano.

Bernardo Silva

No final do ano de 2019 deu que falar o caso insólito que envolveu o futebolista português Bernardo Silva. O ex-Benfica partilhou nas redes sociais uma imagem de Benjamin Mendy, seu colega de equipa do Manchester City, ao lado da mascote da marca de chocolate Conguitos. A “brincadeira”, como foi apelidado o post por parte dos dois jogadores, acabou da pior maneira: a federação inglesa de futebol (FA) suspendeu o internacional português por um jogo, após ter sido considerado culpado de conduta imprópria e ofensiva. Além de ter falhado o jogo diante do Chelsea, Bernardo Silva ainda teve de pagar uma multa no valor de 50 mil libras, cerca de 58,3 mil euros. Recorde-se que, na altura, até Mendy escreveu à FA a defender... o luso.

Jorge Costa/Weah

George Weah ficou nome ainda mais conhecido em Portugal devido ao incidente que teve com o antigo capitão do FC Porto Jorge Costa. Em 1996, o liberiano foi detido pela PSP do Porto no Estádio das Antas, depois de ter partido o nariz ao jogador portista, no final do jogo contra o AC Milan, na fase de grupos da Liga dos Campeões. Weah justificou a agressão com base nos insultos racistas ditos pelo internacional português. A UEFA suspendeu o jogador do emblema de Milão por seis jogos, com o caso a arrastar-se para tribunal. Hoje em dia, Jorge Costa é treinador e Weah Presidente da Libéria. “Houve aquilo que toda a gente sabe, mas pronto, foi eleito Presidente num país complicado e desejo-lhe que tenha muita sorte e consiga tirar a Libéria da situação em que está”, disse Costa em 2018.

Pierre-Emerick Aubameyang

O jogador do Arsenal foi atingido com uma casca de banana durante um jogo com o Tottenham, em 2018.

Após ser identificado, o adepto dos spurs foi impedido por um tribunal londrino de frequentar estádios de futebol durante quatro anos – o indivíduo foi considerado culpado de um “gesto intencional” com “elemento racista”, ao atirar uma casca de banana na direção do futebolista africano, quando este comemorava um golo marcado em frente ao setor reservado aos visitantes do Emirates Stadium. Mão mais pesada teve o próprio clube. O Tottenham impôs ao seu adepto uma interdição de frequentar o seu estádio para toda a vida, lembrando que não há espaço para comportamentos racistas no futebol.

Mario Balotelli

Em janeiro último, a Lazio foi multada em 20 mil euros devido a um cântico racista dos adeptos dirigido a Mario Balotelli, no decorrer do jogo com o Brescia, da 18.ª jornada do campeonato italiano. Antes, em novembro de 2019, o avançado já tinha sido alvo de insultos racistas, desta vez no jogo ante o Hellas Verona. O jogador quis abandonar o relvado, tendo sido impedido pelos companheiros de equipa. Entretanto, na sequência deste episódio, um adepto foi banido de eventos desportivos na Europa por cinco anos. Esta não foi, contudo, a primeira vez que “Super Mario” foi vítima de um episódio desta natureza – o jogador já tinha sido também alvo do arremesso de uma banana para dentro de campo, num duelo entre a seleção transalpina e a Croácia, no Euro 2012.

Tyrone Mings / Rashford/ Sterling

Em outubro do último ano, a goleada, por 6-0, aplicada pela Inglaterra à Bulgária ficou marcada pelo comportamento racista vindo das bancadas do Vasil Levski. O encontro chegou a ser interrompido por duas vezes durante a primeira parte. Em causa estiveram os cânticos com insultos racistas, além das saudações nazis, por parte de um grupo de adeptos búlgaros que visaram os jogadores ingleses Tyrone Mings, Marcus Rashford e Sterling. A Bulgária foi punida com dois jogos à porta fechada e uma multa de 85 mil euros pelo comité disciplinar da UEFA. Antes, em março passado, a seleção inglesa já tinha apresentado uma queixa à UEFA, neste caso pelos insultos racistas dirigidos a Danny Rose na vitória por 5-1 contra o Montenegro, também em jogo referente ao apuramento para o próximo campeonato da Europa.

Samuel Eto’o / Roberto Carlos

O camaronês, que alinhou pelo Barcelona entre 2004 e 2009, foi alvo de cânticos racistas, da parte dos adeptos dos clubes rivais, em jogos contra o Real Saragoça, o Getafe CF e o Racing Santander. Mais tarde, quando representava os russos do Anzhi, o avançado foi visado pelos adeptos do próprio clube, que também já tinham dado que falar pelos piores motivos com outro jogador. Antes, Roberto Carlos, ex-jogador do Real Madrid e da seleção brasileira, saiu de campo a meio de um jogo diante do Krylya Sovetov após ser recebido com bananas pelos adeptos. Ainda antes, o lateral esquerdo já tinha sido alvo de insultos racistas, desta vez no jogo com o Zenit, da parte dos adeptos de Sampetersburgo.

Taison

É outro dos casos mais recentes. Em novembro do último ano, o jogador brasileiro do Shakhtar Donetsk, do português Luís Castro, foi alvo de insultos racistas por parte dos adeptos do Dínamo Kiev, em jogo a contar para a Liga do país. O avançado não quis deixar os adeptos sem resposta e não só pontapeou a bola na direção da bancada adversária como ainda reagiu com gestos obscenos. O avançado brasileiro acabou por ter ordem de expulsão por parte do árbitro e deixou o terreno de jogo em lágrimas. Taison recebeu depois um jogo de castigo pela Associação Ucraniana de Futebol; enquanto o Dínamo Kiev foi sancionado com um jogo à porta fechada e quase 19 mil euros de multa.

Grémio de Porto Alegre

O Grémio de Porto Alegre foi excluído da Taça do Brasil de futebol de 2014, devido a insultos racistas proferidos por adeptos contra o guarda-redes do Santos (Aranha). Mais: os adeptos em causa foram identificados e proibidos de entrar em estádios durante 720 dias. Mais ainda: a equipa de arbitragem também foi multada e suspensa por não ter descrito o episódio no relatório de jogo. O castigo, inédito no futebol brasileiro, contou ainda com uma multa de 11 mil euros aplicada à equipa à data treinada por Luiz Felipe Scolari.

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