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O visconde que bate na mulher!

14/02/2020 16:53

A violência doméstica não é um problema de apenas uma única classe social. É uma avassaladora e terrível praga, com comportamentos próprios de uma autêntica “diabolização” da mulher. Em 2019, matou 35 pessoas. Em 2020, já matou duas. E enquanto continuar a ser prática, é também um costume, será que os agressores são todos como o visconde que bate na mulher? Se são! Pobre visconde, de ser apenas tão rico.

“Era uma vez” um visconde, escondido pelo seu ridículo título adquirido numa época sem reinados, no seu país, que achava que o mundo inteiro lhe devia e ninguém lhe pagava. Era herdado. E devia possuir alguma educação. No entanto, o visconde só tinha a pretensão de ser educado, através de bens materiais. Porsches e Ferraris embelezavam uma garagem, de um apartamento que apenas alugava, mas de uma casa que nunca possuía. O apartamento não andava pelas ruas e não espelhava as suas posses. O apartamento alugado, no entanto, espelhava bem a verdadeira vida do pseudo-visconde “want to be”, um homem sem escrúpulos ou valores morais, que perseguia a sua mulher e batia nos seus filhos. Uma casa atormentada por comportamentos erráticos, gritos e cenas dignas de um livro de marquês de Sade, seu compatriota em títulos nobiliárquicos.

Um homem mesquinho, tacanho e sem cultura, que apenas pensava no consumo das suas próprias drogas e em que palavrão iria utilizar durante o dia, decorando o “apartamento de família” com o seu único bem cultural um “busto de Salazar” próprio das suas ideologias políticas. Cuspia a língua portuguesa, a cada oportunidade. Um visconde que queria ser conde e não passava de um bobo da corte, que sujeitava mulheres e crianças ao suplício da sua própria presença. A mulher do visconde fez queixa e o visconde foi presente à juiz e aos dignos representantes em audiência própria - “Você sabe quem eu sou?” Em tom claramente esclarecedor da sua condição e da sua triste e espelhada suposta figura social, perguntou. Espantada, a juíza respondeu - “Você é o arguido”. Mesmo assim, o visconde oleoso e presunçoso, não se convenceu. Cuspiu e balbuciou palavrões, durante outras audiências, numa das quais pedindo que a advogada de defesa, fizesse um duelo, ao estilo do “quem foge primeiro”. Merecia um colete de forças. Nunca lhe foi posto. O visconde foi condenado, em diversas penas, uma suspensa e outras em multa, o que para ele mostra, que apesar de o seu nome estar “manchado”, um homem sem escrúpulos jamais se deixa afetar, com a possibilidade de um calabouço “não efetivo”. Tal como todos os outros, iguais a ele.

E o que não faltam por aí, são estes viscondes disfarçados de Don Juans desajeitados, e pegajosos, que pensam que nunca vão ser deixados, porque possuem no lugar do cérebro um bocado de gesso da pior espécie! Pois são deixados, pobres viscondes ricos de nada! Mais que deixados, são condenados, embora ainda a penas ridiculamente pequenas!.
por Francisca de Magalhães Barros

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