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José Paulo do Carmo 14/02/2020
José Paulo do Carmo

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Roma nunca desilude

Mas do que gosto mesmo é de passear pelas pequenas mercearias e sentir o perfume dos saborosos queijos, dos apetitosos salames e enchidos (felizmente, por ali não há vestígios de fanáticos vegetarianos e o único PAN vem com azeite extravirgem).

Sou um apaixonado por Roma. Gosto do estilo de vida dos romanos, com a sua efervescência latina, a predisposição para se divertirem e viver com qualidade, mas também a forma como defendem o seu país, a sua cultura e a grandiosa história que os precede. Gosto, tal como eles, de andar na rua, passear a pé, ver pessoas e parar nas tascas (osterias) a petiscar ou simplesmente a apreciar um bom copo de vinho. Esta semana tive oportunidade de regressar e, mais uma vez, não desiludiu. Existe, aliás, um pouco por toda a Itália uma excelente noção da mescla perfeita entre o dia e a noite, no equilíbrio entre os dois e no retirar o máximo de ambos os momentos, e isso, a mim, para ser franco, fascina-me.

A dicotomia entre uma cidade de ruas e ruelas, boémia e noctívaga, contrastando com a paz e serenidade que lhe confere o Vaticano, ali ao lado, dá-lhe um sabor especial. Vale sempre a pena passar pelos sítios mais emblemáticos, como a Piazza Navona ou as Escadarias da Praça de Espanha, mas sobretudo a maravilhosa e lindíssima Fontana di Trevi. O monumento foi cenário de uma das cenas mais famosas do cinema italiano: em La Dolce Vita, de Federico Fellini, Anita Ekberg entra na água e convida Marcello Mastroianni a fazer o mesmo. De cada vez que alguém se aproxima demais ou se senta, lá vem um dos famosos carabinieri (uma das forças de segurança italianas) com o apito na boca e o braço em tom de aviso para não repetirem a façanha. Obrigatória passagem pela Praça de São Pedro e pela Capela Sistina, pintada pelos maiores artistas da Renascença, incluindo Michelangelo, Rafael, Sandro Boticelli e Perugino. Já o Coliseu (permanentemente em obras) e o Campo de’ Fiori (conhecido pelo seu mercado sobretudo de flores, mas que já poucas flores tem) procuram melhores dias. Mas Roma não se esgota aqui.

Existem muitos outros pontos de interesse que, não raras vezes, passam ao lado dos turistas e que valem a pena ser visitados. No que à arte diz respeito, não faltam espaços que enalteçam a famosa Roma Antiga. Merecem o olhar pelo menos o Panteão, a Galeria Borghese e o Museu Nacional Romano, composto por quatro espaços de onde destacaria o Palácio Altemps, pela importante coleção de esculturas gregas e romanas, bem como as Termas de Diocleciano, o maior complexo termal da Roma Antiga. Para quem gosta de uma visão mais contemporânea, a Galleria Continua, no imponente St. Regis Hotel, mas também o Museu Nacional de Arte do Século XXI, denominado MAXXI. Mesmo ao lado da Fontana di Trevi e para quem gosta de moda e de ver o que nos apresentam as principais marcas é obrigatório um passeio pela Via Del Corso e pelas elegantes e charmosas Galerias Alberto Sordi e Sciarra.

Mas do que gosto mesmo é de passear pelas pequenas mercearias e sentir o perfume dos saborosos queijos, dos apetitosos salames e enchidos (felizmente, por ali não há vestígios de fanáticos vegetarianos e o único PAN vem com azeite extravirgem). Que tentação ver aquelas massas frescas serem feitas no momento! Adoro comida italiana e foi, por isso, um fartote de pasta e tiramisù. A não perder a Trattoria Al Moro (o Gambrinus lá do sítio) e o spaghetti com o mesmo nome – uma espécie de carbonara com ovo em vez de natas. Um saboroso cacio e pepe (queijo pecorino e pimenta) na La Moretta ou na Da Enzo 29, uma amatriciana de comer e chorar por mais na Osteria da Fortunatta e o spaghetti de lagosta na Le Mani in Pasta. Se preferir piza pode sempre optar pela clássica napolitana na Pizzeria di Trevi. Para um copo mais tarde, nada como um passeio pela boémia Trastevere e um cocktail no Bar Freni e Frizioni ou noutros dos muitos que por ali existem. Para dançar pela noite dentro, o Toy Room ou o Goa Club, num estilo mais underground, e o Sheket ou o Coho Apartment, mais exclusivo e elitista. Adoro Lisboa, mas era bem capaz de viver ali… Obrigado à Sara e ao Matteo – não há nada como as dicas de locais para não cairmos no costumeiro espaço turístico. Ficou ainda muito por ver. Talvez em breve…

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