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Demissão do chanceler estraga os planos de Boris Johnson

Demissão do chanceler estraga os planos de Boris Johnson

Anthony Devlin / AFP João Campos Rodrigues 13/02/2020 21:16

O primeiro-ministro queria uma remodelação de Executivo tranquila, mas exigiu a Sajid Javid que demitisse toda a sua equipa - este não aceitou.

Boris Johnson está a levar a cabo a primeira remodelação do seu Executivo desde a sua estrondosa vitória nas eleições de dezembro. O primeiro-ministro britânico pôs de lado as fusões de pastas e alterações drásticas do Governo propostas pelo seu principal conselheiro, Dominic Cummings, considerado a eminência parda por trás de Johnson. Mas se queria uma mudança discreta, os planos de Johnson foram estragados pelo demissão do seu chanceler, o equivalente ao ministro das Finanças, Sajid Javid, a quem foi exigido que demitisse toda a sua equipa, substituindo-a pelos assessores do primeiro-ministro.

“Fui incapaz de aceitar essas condições e não acredito que qualquer ministro que se preze aceitasse”, explicou aos jornalistas o chanceler demissionário, à porta da sua residência, o nº 11 de Downing Street. Javid salientou o trabalho “incrivelmente duro” da sua equipa e declarou: “Fiquei sem nenhuma opção que não demitir-me”. O ex-chanceler, um muçulmano de origens humildes, estava a menos de um mês de apresentar o seu primeiro orçamento do Estado - era visto como uma estrela em ascensão dentro do Partido Conservador.

Contudo, já há algum tempo que a relação de Javid com os seu vizinhos do nº 10 de Downing Street não era propriamente calorosa. Em particular no que tocava a Cummings, apelidado como o “Rasputin de Boris”, com quem o chanceler chocou em várias ocasiões. Em agosto, Javid confrontou Johnson, possesso, quando soube que Cummings despediu uma assessora do seu ministério sem o seu conhecimento - o conselheiro chegou a ordenar a um polícia armado que a expulsasse do edifício. Já Cummings fez saber aos funcionários do nº 10 de Downing Street que quem não gostava do seu estilo de gestão podia “ir-se f****”, avançou na altura o Guardian.

Como seria de esperar, os jornalistas questionaram Javid se a demissão em massa da sua equipa foi ideia de Cummings. O ex-chanceler negou e expressou o seu “pleno apoio” ao primeiro-ministro e ao seu sucessor, Rishi Sunak, rapidamente promovido por Johnson. Até então secretário do Tesouro, Sunak, eleito deputado há menos de cinco anos praticamente desconhecido do público britânico, recebe uma das importantes pastas do Governo.

“Uma promoção para chanceler tão rápido é uma tarefa enorme”, escreveu Laura Kuenssberg, editora de política da BBC. “Dominic Cummings claramente ganhou a batalha para tomar controlo absoluto da Tesouraria e instalar um fantoche seu como chanceler”, comentou o trabalhista John McDonnell, chanceler-sombra.

 

Protagonistas As remodelações de Executivos “são a maneira como os primeiros-ministros podem construir uma equipa de protagonistas”, notou Laura Kuenssberg. A remodelação surge num momento em que o Parlamento não levanta grandes problemas a Johnson - tem uma larga maioria dos deputados do seu lado. O objetivo é que os nomes escolhidos levem para a frente as medidas propostas pelo chefe de Executivo, de forma “eficiente e sem muitas queixas ou protestos”, explicou Kuenssberg. “E, dado que é de políticos que estamos a falar, sem demasiada vaidade ou dar espetáculo”, acrescentou.

Para já, registam-se menos demissões do que se esperava: além da de Javid, foi afastada a ministra dos Negócios, Energia e Estratégia Industrial, juntamente com a ministra do Ambiente, o procurador-geral e o secretário de Estado da Irlanda do Norte. Talvez a demissão mais polémica seja a de Julian Smith, que tinha a pasta da Irlanda do Norte: era um opositor do plano de saída da União Europeia de Johnson, devido à cláusula que mantém a Irlanda do Norte alinhada com a UE, num regime diferente do resto do Reino Unido.

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