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PSD/CDS. 'Chicão' vai hoje à sede do PSD reunir-se com Rui Rio

PSD/CDS. 'Chicão' vai hoje à sede do PSD reunir-se com Rui Rio

Bruno Gonçalves Luís Claro 13/02/2020 13:30

A relação entre o líder do CDS e Rui Rio não começou bem, mas os dois partidos já falam em criar pontes a pensar nas eleições.

O novo líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, vai hoje ao início da tarde à sede do PSD para uma reunião com Rui Rio. O ambiente entre os dois partidos azedou durante a discussão do Orçamento do Estado, mas dos dois lados começa a falar-se em convergências para as autárquicas e legislativas.

“O CDS-PP é o nosso parceiro natural”, disse ontem, na TSF, David Justino, vice-presidente do PSD. O dirigente social-democrata defendeu que, a partir do momento em que o PSD se posiciona ao centro, deve “entender-se e criar pontes com setores à sua direita no sentido de criar uma nova dinâmica”. Para o vice-presidente do partido, há “um trabalho pela frente”, mas também há “uma porta aberta” para construir uma “solução eleitoral que seja ganhadora” com o CDS e “outras forças políticas” que estão à direita do PSD.

O apelo ao diálogo entre os dois partidos a pensar nas autárquicas e legislativas já tinha sido feito por Francisco Rodrigues dos Santos no congresso do PSD. O presidente dos centristas deixou claro que está disponível para iniciar negociações com o PSD. “Certamente que nos encontraremos para apresentarmos uma solução de Governo que possa estruturar pontes e construir soluções alargadas para reformar o nosso país”.

Rui Rio também deu um sinal, no discurso de encerramento do congresso, de que não queria alimentar a guerra com os centristas por causa do IVA da eletricidade e guardou para o CDS uma saudação especial. “Compreenderão que dirija um cumprimento em particular à delegação do CDS-PP, partido que, em diversos momentos, e alguns deles bem difíceis, partilhou com o PSD a governação do país”.

Rui Rio referia-se ao período da troika, entre 2011 e 2015, em que o PSD governou em aliança com o CDS. Os dois partidos já tinham governado em conjunto entre 2002 e 2005, com Durão Barroso e Santana Lopes, e entre entre 1980 e 1981 com Sá Carneiro e Pinto Balsemão.

divergências PSD e CDS estiveram a arrumar a casa nos últimos meses e começam agora a definir a estratégia para os próximos atos eleitorais, nomeadamente as eleições autárquicas em que tradicionalmente concorrem juntos em vários concelhos. Mas não começou bem esta nova fase devido à forma como o CDS se posicionou em relação ao IVA da eletricidade no debate sobre o Orçamento do Estado.

Os centristas distanciaram-se do PSD e contribuíram para salvar o Governo ao inviabilizarem as propostas para descer o IVA da luz. “O CDS disse que queria baixar o IVA e, na hora da verdade, colocou-se ao lado do Governo e graças ao CDS é impossível baixar o IVA”, disse Rui Rio, na Assembleia da República.

Duarte Pacheco foi mais longe e acusou os centristas de “incoerência”. O deputado social-democrata, em declarações ao SOL, lamentou que os centristas tenham optado por dar a mão ao Governo socialista. “Pelos vistos António Costa manda neste novo CDS”, disse.

O CDS e o PAN acabaram por ser decisivos para que a proposta do Bloco de Esquerda (a que ficou mais perto de ter sucesso) fosse chumbada e os socialistas aprovaram algumas alterações ao Orçamento do Estado feitas por esses partidos.

Francisco Rodrigues dos Santos garantiu que “não estendeu” a mão ao Governo. “Quero ser absolutamente claro nesta matéria. O CDS não faz favores ao Governo socialista. Quando o Governo, à semelhança do que fez com outros partidos, contactou o CDS, nós dissemos apenas qual seria a posição do partido”, disse o novo presidente dos centristas. O congresso do PSD serviu para reaproximar os líderes dos dois partidos que hoje, a partir das 14h30, se encontram pela primeira vez.

 

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