15/8/20
 
 
José Cabrita Saraiva 11/02/2020
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@ionline.pt

A guerra que Varandas não pode ganhar sozinho

Se em Portugal falta festa e alegria ao futebol não será por falta das claques. Será, mais do que isso, porque há um ambiente de cortar à faca nos grandes jogos que afasta as famílias dos estádios. Quem arrisca levar uma criança para um dérbi quando vê na televisão as imagens das hordas a serem escoltadas como bandos de prisioneiros?

Este fim de semana foi noticiado mais um caso lamentável passado num recinto desportivo. Segundo vários órgãos de comunicação, o vice-presidente do Sporting, um vogal e a filha adolescente deste foram agredidos à saída do dérbi de futsal Sporting-Benfica, no Pavilhão João Rocha. “Até uma menor é insultada, cuspida, humilhada”, lamentava o comunicado. Os agressores, que esperaram pelos seus alvos à saída de um elevador, teriam símbolos que os identificavam como membros da Juve Leo, mas esta veio prontamente desmentir o envolvimento.

A verdade é que desde que declarou guerra à claque (que sempre apoiou o seu antecessor, Bruno de Carvalho), Frederico Varandas não tem tido descanso. Ainda este domingo milhares de adeptos se concentraram à porta do Estádio de Alvalade para exigir a sua demissão. Antes disso, e para começar logo o ano em beleza, no clássico em Alvalade contra o FC Porto a claque dos leões passou os primeiros 45 minutos em silêncio como forma de protesto.

Na altura, a Juve Leo emitiu um comunicado a dizer que “um estádio sem claques, sem festa, é um estádio vazio de alma, sem coração”.

Será mesmo? Não é isso que vemos em Inglaterra, onde os adeptos cantam do princípio ao fim e as bancadas vibram em uníssono.

Se em Portugal falta festa e alegria ao futebol não será por falta das claques. Será, mais do que isso, porque há um ambiente de cortar à faca nos grandes jogos que afasta as famílias dos estádios. Quem se arrisca a levar uma criança para um dérbi quando vê na televisão as imagens das hordas a serem escoltadas como bandos de prisioneiros, ameaçando e vociferando insultos mesmo nas barbas da polícia? Quem se sente seguro quando sabe que há grupos altamente agressivos e organizados que a qualquer momento podem criar o caos? Casos como o da agressão à filha do dirigente do Sporting, esses sim, contribuem para estádios “sem festa” e “sem coração”.

Frederico Varandas está a tentar contrariar esta realidade. Mas sozinho, sem qualquer apoio da federação, do Governo ou de outras entidades oficiais, é muito pouco provável que ganhe.

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