27/5/20
 
 
Marta F. Reis 10/02/2020
Marta F. Reis
Sociedade

marta.reis@newsplex.pt

No país do excedente e da luz com IVA de 23%

Se pode ser discutível até que ponto a descida do IVA da luz resolve os problemas, e se serão outras as medidas necessárias, torna-se difícil festejar o primeiro Orçamento com excedente em democracia e que mantém, por agora, o IVA da luz na taxa máxima num país onde um terço da população de uma região vive em condições indignas.

Um estudo do Instituto Politécnico da Guarda, que será apresentado esta terça-feira, conclui que um terço dos habitantes das Beiras e serra da Estrela vive em condições indignas e em situação de “grave carência habitacional”, seja em questões de acessibilidade, saneamento ou conforto térmico.

Depois de a reta final da aprovação do Orçamento no Parlamento ter ficado marcada pelos avanços e recuos na descida do IVA da eletricidade – uma discussão que acabou por resumir-se, no seu ocaso, a quem estava com quem, mais do que ao que faria ou não diferença na vida dos portugueses –, o alerta leva-nos de novo à realidade de um país que aparece nos rankings como dos melhores sítios para viver, mas onde as desigualdades continuam a ser tremendas e uma parte considerável da população não tem meios suficientes para o que devia ser básico: ter uma casa de banho, ligar um aquecedor, isolar janelas e portas.

Se pode ser discutível até que ponto a descida do IVA da luz resolve os problemas, e se serão outras as medidas necessárias, torna-se difícil festejar o primeiro Orçamento com excedente em democracia e que mantém, por agora, o IVA da luz na taxa máxima num país onde um terço da população de uma região vive em condições indignas.

Não bate certo. Resta saber o que concluiria um estudo destes a nível nacional, conhecidas que são as dificuldades crescentes em ter casa nas grandes cidades e periferias e as pessoas que se veem hoje de novo na necessidade de viver em quartos porque os salários só lhes dão para isso.

Antes deste trabalho do IPG, não faltavam indicadores: dois milhões de portugueses em risco de pobreza, um quinto que não consegue aquecer a casa, com as repercussões que isso tem no dia-a-dia e na saúde pública – por algum motivo estaremos entre os países onde as mortes mais aumentam no inverno. Talvez com exemplos concretos deste estudo da Guarda, o problema se torne mais premente e ajude a ordenar prioridades e políticas. Dá que pensar: é para este interior que quem se mudar vai receber um apoio de 4800 euros? 

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